A mineradora Serra Verde, localizada em Minaçu, no norte de Goiás, foi vendida à empresa norte-americana USA Rare Earth por US$ 2,8 bilhões. O negócio gerou críticas, inclusive do ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, que questionou a legalidade do acordo.
O que muda na prática?
Segundo a empresa, o material exportado é rico em elementos estratégicos como neodímio, praseodímio, disprósio e térbio, fundamentais para a produção de ímãs permanentes usados em veículos elétricos, turbinas eólicas e outras tecnologias de energia limpa. A Serra Verde afirma em seu site que não exporta minério bruto, mas sim um concentrado mineral de alto valor.
Terras raras: o que são?
As terras raras são um grupo de 17 elementos químicos conhecidos por suas propriedades magnéticas e condutoras únicas. Apesar do nome, não são necessariamente raros na crosta terrestre, mas são extremamente difíceis de serem encontrados em concentrações puras e de extração mineral complexa.
Gestão local segue inalterada
Em entrevista ao g1, Ricardo Grossi, presidente e diretor de operações da Serra Verde, informou que a negociação não promoverá mudanças imediatas na operação no Brasil. “A mina e a planta em Minaçu seguem operando normalmente, sob a liderança da equipe atual, com continuidade da estratégia já em curso. A operação permanece focada no ramp-up e na expansão previstos, e a gestão local segue inalterada. Ao mesmo tempo, o acordo fortalece a empresa ao dar acesso a tecnologia ao longo de toda a cadeia produtiva e maior integração global, sem alterar o dia a dia da operação”, explicou.
A Serra Verde é a única mineradora fora da Ásia a produzir em escala comercial os quatro elementos magnéticos essenciais. O depósito de argila iônica em Minaçu é um dos maiores do mundo e possui impactos ambientais relativamente baixos.
Expansão da produção
Após a negociação, o foco da mineradora continua sendo a execução do projeto de otimização e expansão para elevar a produção para 6,4 mil toneladas por ano de óxidos de terras raras até o fim de 2027. “Depois disso, a empresa combinada estará em uma posição mais forte para crescer e investir, potencialmente criando novas funções e promovendo um desenvolvimento econômico significativo em torno de Minaçu”, destacou Grossi.
Exportações já realizadas
A mineradora iniciou sua produção comercial em janeiro de 2024. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior do MDIC, em 2025 foram exportadas quase 678 toneladas de terras raras para a China. No entanto, em 2026, Goiás exportou apenas 2 toneladas para os Estados Unidos, com valor de US$ 67 mil. No ano passado, foram exportados 51 kg para os norte-americanos.
Detalhes da negociação
A negociação foi anunciada pela USA Rare Earth no dia 20 de abril e prevê a combinação das operações das duas companhias para liderar toda a cadeia produtiva, desde a extração das terras raras até a fabricação de ímãs permanentes. Do montante de US$ 2,8 bilhões, US$ 300 milhões serão pagos em dinheiro e o restante em ações. Além da aquisição, o acordo inclui um contrato de fornecimento de 15 anos, com preços mínimos estabelecidos para os minerais, garantindo previsibilidade de receita e reduzindo riscos.
Impasse jurídico e político
Na sexta-feira (24), o ministro Márcio Elias Rosa afirmou que o subsolo brasileiro pertence à União e que cabe a ela regulamentar a exploração de terras raras e minerais críticos. Em entrevista ao Canal Gov, ele ressaltou que o memorando de entendimento entre o governo de Goiás e os Estados Unidos tem um vício de inconstitucionalidade e “não se sustenta”.
O acordo é alvo de uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF). O partido Rede Sustentabilidade ingressou com uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF), argumentando que recursos minerais estratégicos pertencem à União. Deputados do PSOL também protocolaram uma representação na Procuradoria-Geral da União (PGR) questionando a legalidade da aquisição.



