Faltas em consultas e exames agravam fila de espera em Sorocaba
Faltas em consultas e exames agravam fila em Sorocaba

Em Sorocaba (SP), enquanto milhares de pacientes aguardam meses por uma consulta ou exame, um problema adicional agrava a situação e aumenta o tempo de espera: a elevada taxa de faltas. Em algumas unidades de saúde, um em cada três pacientes agendados não comparece, deixando cadeiras vazias e impedindo que outra pessoa seja atendida.

Histórias de espera

A longa espera tem rostos e histórias. Vânia Oliveira, por exemplo, teve um sangramento no útero em 2021 e, após não conseguir atendimento rápido, precisou de uma vaquinha de vizinhos para pagar uma ressonância particular. Com o exame em mãos, conseguiu a cirurgia em um hospital público da capital. "Sangrei por um ano. E [durante] um ano eu busquei ajuda [...]. Em Sorocaba, foram me chamar para fazer os exames da cirurgia dois anos depois", relata.

Kátia da Silva vive um drama parecido. Há dois anos na fila para retirar a vesícula, ela também aguarda por consultas com outros especialistas. "Estou no número 198 da fila de espera [da vesícula]. Na nefro [nefrologista], eu tô no número 500, e do endócrino estou no número 600", explica.

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O outro lado: as cadeiras vazias

Se por um lado milhares de pessoas aguardam pelo atendimento, do outro está o problema das consultas e exames que não são realizados porque os pacientes não aparecem no dia marcado. Na rede pública, a ausência gera prejuízo, e os números mostram a dimensão do problema. Segundo a Prefeitura de Sorocaba, a taxa de faltas (absenteísmo) é de 31% nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e 22% na Policlínica.

Na Santa Casa de Misericórdia, a situação é semelhante. Em apenas três meses (janeiro a março de 2026), mais de mil pessoas (1.046) confirmaram a presença um dia antes do exame, mas mesmo assim não compareceram. Para o diretor-presidente do hospital, Padre Flávio Jorge Miguel Júnior, o impacto é financeiro e, principalmente, social, pois a vaga poderia ser de outra pessoa. "Nós temos o custo fixo. O médico está lá, a enfermagem está lá. Há todo um gasto com isso. O custo está ali para ser usado. Com a ausência desse munícipe, também a rede hospitalar entra em prejuízo", afirma.

Onde mais se falta?

Dados da Santa Casa e da Policlínica mostram as especialidades mais afetadas pela ausência de pacientes. Na Santa Casa, os exames com mais faltas foram: mamografia (602 ausências), endoscopia (249), colonoscopia (129), raio-X (55) e biópsia de próstata e tireoide (11). Na Policlínica, as consultas com mais faltas em 2025 foram: ortopedia e traumatologia (3.259 ausências), dermatologia (2.744), fisioterapia (2.469), pneumologia (2.194) e ginecologia e obstetrícia (1.999).

Cadastro desatualizado é a principal causa

A Prefeitura de Sorocaba aponta uma causa principal para o alto número de faltas: a dificuldade de contatar os pacientes devido a cadastros desatualizados. O sistema municipal de saúde tem mais de 1,2 milhão de pessoas cadastradas, enquanto a população da cidade, segundo o último Censo, é de menos de 800 mil habitantes.

A promotora de Justiça, Cristina Palma, informou que o Ministério Público está investigando tanto a demora na fila de espera quanto o problema dos cadastros desatualizados apontado pela prefeitura. "Muitas vezes pela demora de ser atendido, acontece daquela pessoa passar mal e, em razão daquele problema, que era um problema eletivo, virar uma emergência. E nessa emergência ele acaba sendo atendido e realizando muitos daqueles exames que estavam sendo aguardados. Então isso, o próprio sistema não tira essa pessoa da fila, assim como os próprios óbitos. Eles não saem da fila. Tem que ser evoluído para que o sistema fique mais integralizado", pontua.

Por isso, é importante que o paciente mantenha o cadastro atualizado. Basta procurar uma UBS ou Casa do Cidadão mais próxima ou o site da prefeitura. A TV TEM pediu um posicionamento para a Prefeitura de Sorocaba sobre a situação de Vânia e Kátia. A Secretaria da Saúde disse que vai verificar internamente, e que em respeito à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e ao sigilo médico, não comenta casos individuais.

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