Usina de Colíder (MT) sai de 'alerta' para 'atenção' após ações contra falhas estruturais
Usina de Colíder (MT) sai de alerta para atenção após falhas (18.03.2026)

Usina de Colíder (MT) sai de 'alerta' para 'atenção' após ações contra falhas estruturais

A Usina Hidrelétrica de Colíder, localizada no Rio Teles Pires, no município de Itaúba, a 599 quilômetros de Cuiabá, concluiu nesta quarta-feira (18) o reenchimento do seu reservatório, retornando ao nível de 272 metros acima do nível do mar. Este é o mesmo patamar registrado em agosto do ano passado, marcando uma etapa crucial após seis meses de intervenções motivadas por graves falhas estruturais identificadas na barragem.

Falhas estruturais e recomendações do Ministério Público

O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) apontou inúmeras falhas estruturais na barragem, o que levou ao rebaixamento do reservatório e resultou em diversos danos ambientais significativos. O MP chegou a recomendar a desativação da barragem caso não houvesse alternativas viáveis para garantir a segurança. Em fevereiro, a usina saiu do estado de "alerta" para o de "atenção", após a implementação de um cronograma rigoroso para reforçar as medidas de segurança.

Processo de reenchimento e medidas de segurança

O reenchimento do reservatório foi realizado com um limite de 25 centímetros por dia, seguindo um fluxo gradual e controlado para priorizar a segurança dos moradores da região, do meio ambiente e do próprio empreendimento. A operação mobilizou 115 profissionais, que realizaram inspeções por terra, com o apoio de helicópteros e drones, garantindo um monitoramento abrangente.

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"Os resultados mostram que as condições ambientais continuaram dentro do normal. A usina segue estável, em operação e dentro dos padrões de segurança", afirmou a empresa proprietária Axia Energia, anteriormente conhecida como Eletrobras. A empresa também orientou a população local a acompanhar os comunicados oficiais, especialmente durante o período chuvoso, e alertou para a necessidade de guardar ou amarrar adequadamente barcos, flutuantes e materiais próximos ao rio.

Danos ambientais e impactos econômicos

O rebaixamento do reservatório, necessário para verificar falhas nos drenos e aliviar a pressão sobre a estrutura, gerou sérios danos ambientais. Entre eles, destacam-se a morte de aproximadamente 1.500 peixes, alterações na qualidade da água, comprometimento da biodiversidade aquática e semiaquática, e prejuízos à fauna migratória. Além disso, o MPMT estimou que a medida impactou negativamente a atividade pesqueira, o turismo regional e o comércio local, com perdas anuais entre R$ 10 e R$ 12 milhões.

Eventos culturais tradicionais, como o "Fest Praia" e o "Viva Floresta", também foram afetados, e o acesso das comunidades ribeirinhas ao rio foi dificultado, prejudicando seu modo de vida tradicional.

Contexto histórico e denúncias

A usina entrou em estado de "alerta" em agosto do ano passado, conforme investigação do MP. Na ocasião, quatro entidades civis denunciaram à Organização das Nações Unidas (ONU) o risco de rompimento da barragem, protocolando a queixa no departamento de Direitos Humanos à Água Potável e Saneamento. As entidades destacaram que o Rio Teles Pires é um dos mais impactados por hidrelétricas na Amazônia.

Desde então, a empresa administradora tem seguido um cronograma com várias fases para reforçar a segurança. Em janeiro, duas sirenes foram acionadas indevidamente, assustando os moradores, mas a empresa descartou qualquer situação de perigo e abriu apuração para esclarecer o ocorrido.

Detalhes técnicos e troca de ativos

Localizada no Rio Teles Pires, a usina tem uma potência de 300 megawatts e um reservatório com área total de 168,2 km² e comprimento de 94 km. Em operação desde 2019, ela abrange os municípios de Cláudia, Colíder, Itaúba e Nova Canaã do Norte. Mato Grosso possui 142 usinas hidrelétricas em operação, de diversos portes.

A Copel Geração e Transmissão, responsável pela construção da usina entre 2011 e 2019, transferiu a gestão para a Axia Energia (ex-Eletrobras) em maio do ano passado. Como contrapartida, a Copel cedeu a usina e efetuou um pagamento de R$ 196,6 milhões após ajustes contratuais. Em troca, a Axia cedeu a Mata de Santa Genebra Transmissão (MSG) e a Usina de Mauá. A Usina de Colíder representa apenas 0,5% do ativo total da Axia, conforme comunicado ao mercado financeiro.

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Em fato relevante divulgado, a Axia informou que, dos 70 drenos que integram o sistema da usina, quatro sofreram danos desde a compra do ativo. Os drenos são estruturas essenciais para escoar adequadamente a pressão da água sob a barragem, e suas falhas motivaram as intervenções recentes.