Descarte irregular de mineradora causa água oleosa e amarelada em rio de São Paulo
A Prefeitura de Vargem Grande do Sul, no interior de São Paulo, identificou que o descarte irregular de dejetos de uma mineradora está causando a coloração amarelada, aparência oleosa e presença de areia na água que abastece a cidade. Moradores vinham manifestando preocupação com a qualidade da água, que apresentava essas características anormais.
Empresa flagrada lançando dejetos no Rio Verde
Em diligências realizadas nas proximidades da Represa Eduínio Sbardellini, manancial que abastece a Estação de Captação e Tratamento de Água da cidade, a mineradora Barro Novo Extração e Comércio de Argila Ltda foi flagrada lançando dejetos no Rio Verde. A ação irregular ocorria acima da entrada d'água da represa, prejudicando diretamente o abastecimento público.
A prefeitura divulgou nota nesta sexta-feira (17) explicando que os dejetos são provenientes da lavagem de areia, o que dificulta o tratamento, mas afirmou que não causam mal à saúde. Foram tomadas providências junto ao Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAE) e ao Departamento de Agricultura e Meio Ambiente, notificando a empresa para cessar imediatamente a atividade irregular.
Empresa alega ter licenças ambientais
Procurada pela EPTV, afiliada da TV Globo, a empresa Barro Novo informou que possui todas as licenças ambientais necessárias para a extração de argila e areia. A mineradora argumentou que, com as chuvas, a quantidade de água de enchentes é grande e acaba levando junto os resíduos da extração, que incluem água suja com argila.
No entanto, a prefeitura foi enfática: "A empresa tem as licenças de operação para a extração de argila e areia, mas não pode fazer o descarte dos dejetos no corpo d'água, como fez, atingindo o Rio Verde". A administração municipal destacou que a turbidez excessiva da água da represa estava sendo causada por este descarte irregular e que, com a paralisação da atividade, a turbidez já começa a baixar.
Transtornos no dia a dia dos moradores
Os moradores de Vargem Grande do Sul relataram diversos transtornos causados pela água de má qualidade:
- Dona de casa Edna Ferreira de Souza, do bairro Bela Vista, disse que "de manhã a gente não tem condições de lavar roupa" e que ao tomar banho "já sai hidratado de tanta gordura que vem no corpo".
- Ela mostrou baldes com areia acumulada no fundo e afirmou que sem purificador em casa não teria o que beber, tendo que limpar o filtro toda semana devido à sujeira.
- Seu marido, Cristiano de Souza Lima, inicialmente achou que o problema era do sabonete, mas percebeu que o piso do banheiro estava encardindo e que mesmo com detergente as mãos ficavam oleosas.
- Cristiano, que teve câncer de intestino e de pulmão, expressou preocupação com a saúde: "Quem tem problema de saúde fica preocupado".
Na Vila Esperança, outros moradores relataram situação semelhante, com água amarela e engordurada. A dona de casa Eline Aparecida disse precisar buscar água em uma mina distante para seus três filhos.
Acompanhamento técnico e tratamento
O superintendente técnico administrativo da estação de tratamento, Klabin Dei Romero, explicou que as fortes chuvas no início de abril alteraram a composição da água, causando sensação de oleosidade, mas reiterou que não causa danos à saúde. Ele destacou que a estação possui laboratório próprio e contrata serviço terceirizado para coletas mensais em mais de 50 pontos por toda a cidade.
A equipe técnica da prefeitura segue acompanhando a situação, realizando análises e tratamentos para que o abastecimento de água se normalize nos próximos dias. A administração municipal mantém monitoramento constante para garantir a qualidade da água distribuída à população.



