Justiça do Maranhão impõe prazo de 48 horas para Prefeitura de Buriticupu agir contra voçorocas
Justiça dá 48h para Buriticupu agir contra voçorocas

Justiça do Maranhão impõe prazo de 48 horas para Prefeitura de Buriticupu agir contra voçorocas

A Justiça do Maranhão acolheu pedidos do Ministério Público do Estado do Maranhão que obrigam a Prefeitura de Buriticupu (MA) a cumprir uma sentença que determina a adoção de providências em áreas afetadas por voçorocas. O município tem até 48 horas para atender à decisão, sob risco de multas e sanções severas.

Sentença de fevereiro e pedido de prorrogação indeferido

A sentença foi proferida em 3 de fevereiro e determinou que o Município adotasse medidas urgentes para o isolamento das áreas afetadas e o cadastro das famílias para inclusão no programa de aluguel social. Entretanto, a Prefeitura ainda não comprovou o cumprimento integral das medidas e solicitou a prorrogação de mais 15 dias para atender às obrigações.

Na quarta-feira (18), o juiz Rafael de Lima Sampaio Rosa, da 1ª Vara de Buriticupu, indeferiu o pedido. O Ministério Público também solicitou que o prefeito João Carlos Teixeira da Silva seja intimado a comprovar, no prazo de 48 horas, o cumprimento integral das obrigações. Em caso de descumprimento, ele poderá ser multado em R$ 10 mil, valor a ser pago com recursos próprios.

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Determinações específicas da Justiça

Entre as determinações impostas pela Justiça estão:

  • Delimitar e isolar, com sinalização, todas as áreas de risco e de movimentação de massa, no prazo de até 30 dias;
  • Atualizar o cadastro das famílias que vivem próximas às áreas afetadas e garantir aluguel social àquelas em risco iminente;
  • Apresentar, em até 120 dias, um plano detalhado de contenção das voçorocas, com cronograma físico-financeiro;
  • Implementar, em até 180 dias, medidas de mitigação dos impactos ambientais;
  • Realizar, no prazo de quatro anos, a recuperação ambiental das áreas degradadas.

A Justiça também fixou multa diária de R$ 50 mil em caso de descumprimento, limitada a R$ 2 milhões. Na decisão, foi negado o bloqueio imediato de R$ 2 milhões das contas do município, para evitar prejuízos a serviços essenciais como saúde e educação. No entanto, a Prefeitura foi advertida de que o descumprimento do novo prazo poderá resultar em sanções por litigância de má-fé e na apuração de responsabilidade penal e político-administrativa.

Contexto histórico do caso

Em 2022, o Município de Buriticupu firmou um acordo judicial após uma ação civil pública movida pelo Ministério Público, diante da gravidade das voçorocas e do risco à população. O município se comprometeu a adotar medidas que não foram cumpridas. Em 2023, diante da inércia da gestão municipal, a Justiça determinou, em caráter liminar, a realização de obras emergenciais.

Ainda assim, a situação se agravou, levando à sentença de 2025, que estabeleceu prazos e medidas mais rígidas. Já em março de 2026, o município voltou a pedir prazo adicional para apresentar relatórios e documentos. Para o Ministério Público, a adoção de medidas mais severas é necessária diante de acidentes já registrados, como a queda de moradores nas crateras.

As voçorocas em Buriticupu representam um risco ambiental e social crítico, com erosões que começaram a se formar há 30 a 40 anos. Relatos indicam que, em quatro décadas, 33 voçorocas já provocaram sete mortes e afetaram mais de 360 famílias na região. A crise exige ações imediatas para proteger os moradores e recuperar o meio ambiente degradado.

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