Indígenas encerram protesto após governo revogar decreto sobre hidrovias no Pará
Indígenas encerram protesto após revogação de decreto no Pará

Indígenas encerram protesto após governo revogar decreto sobre hidrovias no Pará

Há mais de um mês, manifestantes indígenas mantêm paralisado o terminal hidroviário de grãos da Cargill em Santarém, no oeste do Pará. O protesto, que envolve dezessete etnias do Pará e de Mato Grosso, começou no dia 22 de janeiro com a ocupação do acesso ao terminal, interrompendo completamente as operações de carga e descarga de soja e milho na região.

No último sábado (21), a tensão aumentou quando os indígenas invadiram os escritórios do porto, ação registrada em vídeos gravados pelos próprios manifestantes. O episódio obrigou os funcionários a abandonarem suas estações de trabalho, intensificando o impacto da paralisação nas atividades logísticas do terminal.

O motivo do protesto e a resposta do governo

Os indígenas protestavam contra o decreto nº 12.600, assinado pelo presidente Lula em agosto de 2025, que autorizava estudos técnicos para possíveis concessões de hidrovias à iniciativa privada em trechos dos rios Madeira, Tapajós e Tocantins. Os manifestantes exigiam a imediata revogação da medida, que consideravam uma ameaça aos seus territórios tradicionais.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

No domingo (22), após a invasão dos escritórios, o Ministério de Portos e Aeroportos emitiu uma nota reforçando que o direito à manifestação é garantido pela Constituição, mas que atos de violência, invasões ou ocupações irregulares seriam considerados ilegais e não tolerados. A pasta também esclareceu que o decreto em questão não tratava de privatização, mas apenas autorizava a realização de estudos técnicos preliminares.

A revogação do decreto e o compromisso de desocupação

Na noite de segunda-feira (23), o governo federal anunciou a revogação do polêmico decreto. A medida foi assinada pelo presidente em exercício, Geraldo Alckmin, já que o presidente Lula cumpria agenda internacional fora do país. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União na madrugada desta terça-feira (24), atendendo assim à principal demanda dos manifestantes.

Com a revogação, os indígenas comprometeram-se a desocupar o terminal em até 48 horas. "Após as 48, a gente pode sair antes, mas é 48 horas que está no nosso prazo de desocupar toda e deixar como estava o ambiente", afirmou o cacique Rogério Arapiun, uma das lideranças indígenas envolvidas no protesto.

Impactos econômicos e preocupações do setor portuário

O presidente da Associação Brasileira de Terminais Portuários, Jesualdo Silva, expressou profunda preocupação com os eventos ocorridos em Santarém. Ele destacou que a Cargill, empresa privada que opera o terminal, não tinha qualquer relação com a decisão governamental que autorizava os estudos sobre as hidrovias, tornando-se uma vítima no processo.

"O setor portuário envolve grandes investimentos, não apenas de empresas nacionais, mas também internacionais. Fatos como esse – o terminal está há mais de 20 dias parado – trazem uma insegurança muito grande a uma infraestrutura crítica e tão necessária ao Brasil", alertou Silva, referindo-se aos prejuízos econômicos e à imagem de instabilidade criada pela paralisação prolongada.

A invasão e depredação de patrimônio, amplamente divulgadas, geraram um clima de apreensão entre investidores e operadores logísticos, que temem por novos episódios semelhantes no futuro. A retomada das operações no terminal de Santarém será acompanhada de perto por todos os envolvidos no setor de transporte hidroviário brasileiro.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar