Estudo revela que tubarões-tigre permanecem até dois anos em Fernando de Noronha
Uma pesquisa da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) constatou que os tubarões-tigre alteraram seu comportamento e agora permanecem por períodos mais longos em Fernando de Noronha. O estudo, que monitorou a região por 12 anos, indica que a ilha deixou de ser apenas um ponto de passagem rápida para esses animais.
Mudança de comportamento
De acordo com Paulo Oliveira, coordenador do Projeto Ecotuba, os dados dos transmissores instalados nos tubarões mostram que alguns indivíduos da espécie chegam a ficar até dois anos na área. “Antes, após a marcação, os tubarões eram detectados por poucos meses e depois seguiam sua migração. Hoje, permanecem por mais tempo, chegando a dois anos”, explicou o pesquisador.
Essa mudança pode estar relacionada à segurança e às condições ambientais. “Os tubarões-tigre encontram em Fernando de Noronha melhores condições de sobrevivência, como oferta de alimento e qualidade da água. Além disso, a mudança pode estar ligada às alterações climáticas, como o aumento da temperatura dos oceanos”, afirmou Oliveira.
Residência na ilha?
Apesar do maior tempo de permanência, o estudo não confirma que os tubarões-tigre sejam residentes em Noronha. “Para ser considerado residente, o animal precisa completar todo o ciclo de vida no mesmo local: nascer, crescer, se alimentar e se reproduzir. Em Fernando de Noronha, isso ainda não acontece com os tubarões-tigre”, esclareceu Paulo Oliveira.
Aumento da população
O estudo também aponta um aumento no número de tubarões-tigre na região. “Antes, eles ficavam pouco tempo. Atualmente, com a permanência maior, há mais animais em Noronha”, disse o pesquisador. Ele ressaltou que os tubarões-tigre não costumam se aproximar da praia, ao contrário do tubarão-limão, que é visto com frequência perto da areia.
Em caso de encontro com a espécie, Oliveira recomenda cautela. “Se a pessoa avistar um tubarão-tigre, deve manter distância. Caso o animal mude o comportamento, como arquear as nadadeiras, o ideal é sair da água”, orientou.
Diferenças entre machos e fêmeas
O estudo identificou que as fêmeas, especialmente as prenhas, preferem o chamado “mar de dentro”, área voltada para o continente americano, com águas mais calmas. “Elas buscam locais mais tranquilos, protegidos e com oferta de alimento”, explicou Oliveira. Já os machos permanecem no “mar de fora”, área voltada para o sudeste, em direção à África, onde o mar é mais agitado. “São animais mais jovens, que preferem áreas abertas, exploram mais o espaço e têm comportamento mais ativo de caça”, afirmou.
Expedição científica
Os pesquisadores estão em Fernando de Noronha desde o dia 16, na primeira expedição científica do ano, que segue até terça-feira (28). Em cinco saídas de barco, foram instalados transmissores em 15 tubarões, distribuídos entre as espécies: 4 tubarões-tigre, 8 tubarões-bico-fino, 2 tubarões-limão e 1 tubarão-sucuri.
A pesquisa também instalou dois novos receptores. Ao todo, o estudo conta com 18 equipamentos que captam sinais quando animais marcados passam pela região. O trabalho realiza duas expedições por ano para instalar dispositivos e coletar dados em Fernando de Noronha.



