Como a governança de dados da FAS, com apoio da SAP, transforma a sustentabilidade na Amazônia
FAS e SAP usam dados para proteger Amazônia e gerar renda

Dados na floresta: como a tecnologia transforma a sustentabilidade amazônica

No coração da Amazônia, onde os rios ditam o ritmo da vida e o vento pode virar o curso das coisas em instantes, uma revolução silenciosa está em andamento. A Fundação Amazônia Sustentável (FAS), com o apoio estratégico da multinacional alemã de tecnologia SAP, está redefinindo o que significa desenvolvimento sustentável na maior floresta tropical do planeta.

Do banzeiro à precisão: a jornada da FAS

Roberto Brito de Mendonça, liderança ribeirinha do Núcleo Tumbira, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Negro, conhece bem as instabilidades da região. "Quando Deus está tranquilo, o rio fica lisinho", ele reflete. "Mas, quando começa a ventar, começa a complicar." É nesse ambiente desafiador, onde deslocamentos podem levar até quinze dias de barco, que a FAS construiu sua reputação.

Com uma equipe de pouco mais de 170 pessoas, a organização atua diretamente em 800 comunidades e aldeias, beneficiando 21.000 famílias distribuídas por 31 unidades de conservação, 67 territórios indígenas e 44 municípios. Os números impressionam: onde a FAS se faz presente, o desmatamento cai, em média, 28% e os focos de calor diminuem 4%. Sua atuação protege 14 milhões de hectares de floresta, área equivalente à do estado do Ceará.

A parceria com a SAP: governança de dados como alicerce

A FAS aprendeu que, na Amazônia, boas intenções não bastam. É preciso medir, comparar e, a partir daí, corrigir rotas. Por isso, montou uma governança de dados em parceria com a SAP, que levou sua expertise em gestão de dados para dentro da floresta. A organização não governamental passou a reunir, em uma única plataforma, informações ambientais, sociais e financeiras dos projetos.

Ao incorporar o sistema da SAP, a FAS passou a acompanhar quinze indicadores estratégicos na mesma plataforma, o que trouxe ganhos expressivos de produtividade. O tempo de coleta de dados caiu de três semanas para uma, um avanço de 66% em eficiência. "Isso nos permite fazer análises muito mais consistentes, planejar melhor e comunicar os resultados com mais clareza", diz Michelle Costa, superintendente de gestão e finanças da FAS.

Impacto real: das comunidades ao orçamento

Em workshops, comunidades amazônicas passaram a enxergar melhor o próprio desempenho – como faturamento e indicadores de produção – organizado em gráficos e painéis da SAP. "Foi emocionante ver como eles perceberam o impacto do que fazem sob uma nova perspectiva", afirma Michelle.

Os resultados são tangíveis:

  • Os empreendimentos apoiados pela FAS na Amazônia faturam quase 10 milhões de reais por ano
  • O orçamento, que era de 35 milhões de reais em 2024, saltou para 74,2 milhões em 2025
  • Previsão de redobrar em 2026, chegando a 145 milhões de reais
  • 269 parceiros institucionais e financiadores apoiam a iniciativa

Vozes da floresta: histórias de transformação

Roberto Mendonça, líder comunitário e ex-madeireiro, vê na participação dos moradores locais a força que impulsiona a transformação. À frente de um projeto de turismo no Núcleo Tumbira, ele mobiliza nove famílias em uma iniciativa capaz de receber sessenta hóspedes. "Se ninguém precisa sair daqui para viver, a natureza também fica", diz.

Neurilene Silva, da comunidade indígena de Três Unidos, a 60 quilômetros de Manaus, complementa: "A FAS ajudou a dar visibilidade e estrutura para o que a gente já sabia fazer." Com o apoio da Fundação, ela comanda um restaurante de comidas típicas que gera renda para 43 famílias Kambeba.

Lições para o mundo corporativo

Os métodos da FAS trazem valiosas lições para o mundo corporativo. "Sustentabilidade de verdade é complexa – e, justamente por isso, exige método, dados e continuidade", afirma Rui Botelho, presidente da SAP no Brasil. Na avaliação dele, é assim que o ESG enfrenta seu teste mais duro daqui para a frente: ganhar credibilidade à medida que as iniciativas crescem.

Botelho alerta para o que chama de "greenwashing involuntário": não por má-fé, mas porque o discurso avança mais rápido do que a capacidade de demonstrar com clareza o que foi entregue. Uma pesquisa recente da consultoria KPMG constatou que só 38% dos CEOs de empresas de energia integram totalmente as estratégias ESG nas decisões de alocação de capital.

O papel crucial da inteligência artificial

Pedro Pereira, vice-presidente de sustentabilidade da SAP para as Américas, destaca um ponto crítico: a eficácia da inteligência artificial depende essencialmente da qualidade dos dados. "Se a base de informações for imprecisa ou estiver fora de contexto, o sistema ainda vai produzir uma resposta, mas ela pode estar errada", afirma.

Enquanto 82% dos executivos já veem a IA como uma ferramenta para reduzir emissões e otimizar o uso de energia, a experiência da FAS na Amazônia mostra que a tecnologia só funciona quando apoiada em dados confiáveis e governança sólida.

No fim, a floresta deixa um recado claro: sem dados precisos e metodologia rigorosa, o discurso da sustentabilidade permanece apenas isso – discurso. A parceria entre FAS e SAP prova que, mesmo nos cenários mais desafiadores, é possível transformar boas intenções em impacto real, protegendo florestas enquanto gera renda e dignidade para quem vive nelas.