Acre tem 91,9% de equivalência salarial entre gêneros, aponta relatório
Acre: 91,9% de equivalência salarial entre gêneros

O Acre figura entre os estados brasileiros com menor desigualdade salarial entre homens e mulheres, conforme o 5º Relatório de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios, divulgado na última segunda-feira (27) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O levantamento aponta que o estado registra um índice de 91,9% de equivalência salarial, posicionando-se entre os melhores do país nesse indicador. Quanto mais próximo de 100%, menor a disparidade de remuneração entre os gêneros.

O estudo reúne dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) e analisou aproximadamente 53 mil empresas com 100 ou mais empregados, comparando os anos de 2023 a 2025. Apesar do avanço na participação feminina no mercado de trabalho, a diferença salarial não diminuiu e persiste em todos os setores. Em todo o Brasil, as mulheres recebem, em média, 21,3% a menos que os homens em empresas com 100 ou mais funcionários.

Evolução dos indicadores no Acre

No primeiro relatório com recorte de gênero, divulgado em 2024, as mulheres ganhavam, em média, 18,3% a menos que os homens no Acre. Na ocasião, foram consideradas 104 empresas no estado, totalizando cerca de 33,5 mil trabalhadores. Os dados também evidenciaram que a diferença salarial variava conforme o cargo, sendo ainda maior em posições de liderança. Em funções de dirigentes e gerentes, a desigualdade chegava a 35,6%, indicando que, quanto mais alto o cargo, maior tendia a ser a disparidade de remuneração.

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No levantamento mais recente, houve avanço em alguns indicadores. No Acre, 64,6% das empresas passaram a adotar plano de cargos e salários ou plano de carreira. Em relação às políticas de incentivo à contratação de mulheres LGBTQIAP+, o estado registra 15,2% das empresas com esse tipo de iniciativa, ficando atrás de estados como Amazonas (17,4%) e Roraima (15,8%).

Remuneração por gênero e raça

Dados do painel mostram que o Acre possui 120 estabelecimentos com 100 ou mais empregados, somando 39.475 vínculos formais. A remuneração média no estado é de R$ 2.472,66, enquanto o salário contratual mediano é de R$ 1.639,14. Contudo, entre as mulheres, a remuneração média é de R$ 2.356,89, abaixo da registrada entre os homens, que é de R$ 2.565,24.

Quando se observa o recorte por raça, a diferença também aparece. Mulheres negras recebem, em média, R$ 2.298,54, enquanto mulheres não negras têm rendimento médio de R$ 2.565,32. Entre os homens, os não negros têm os maiores salários médios (R$ 2.821,54), acima dos homens negros, que recebem R$ 2.499,67.

A desigualdade também varia conforme o cargo. Em funções operacionais, a proporção salarial entre mulheres e homens é de 79,7%, uma das menores registradas. Já em cargos de dirigentes e gerentes, essa relação chega a 85,3%.

Cenário nacional

No âmbito nacional, o novo relatório revela aumento da participação feminina no mercado de trabalho. O número de mulheres empregadas cresceu 11%, passando de 7,2 milhões para 8 milhões. Também houve avanço na adoção de políticas internas nas empresas, como jornada flexível, auxílio-creche e ampliação de licenças, além de maior número de empresas que afirmam promover mulheres. Aumentou também o número de empresas com maior presença feminina negra. Os estabelecimentos com pelo menos 10% de mulheres negras somaram 21.759 em 2025, alta de 3,6% em relação a 2023. Apesar disso, a desigualdade de renda permanece estável.

A divulgação dos dados atende à Lei nº 14.611, sancionada em 2023, que trata da igualdade salarial entre homens e mulheres. A norma estabelece que empresas com 100 ou mais empregados devem garantir transparência nos salários, adotar medidas contra discriminação e implementar ações que incentivem a equidade no ambiente de trabalho.

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