Temporal intenso provoca tragédia e desalojo em massa em São João de Meriti
Um violento temporal que atingiu São João de Meriti, na Baixada Fluminense, nesta segunda-feira (23), resultou em uma tragédia humana e deixou centenas de pessoas em situação de vulnerabilidade. Uma mulher idosa com dificuldades de locomoção perdeu a vida afogada após o muro de sua residência desabar durante as chuvas torrenciais. Simultaneamente, a prefeitura municipal contabilizou 124 pessoas desalojadas em diversos bairros da cidade.
Vítima fatal e alerta máximo ativado
A vítima fatal residia em uma área próxima ao bairro Venda Velha e, segundo informações oficiais da prefeitura, não conseguiu escapar do imóvel quando a estrutura de contenção cedeu sob a força das águas. O município declarou estágio 5 de alerta máximo, o nível mais elevado em uma escala de cinco, com sirenes sendo acionadas em vários pontos estratégicos.
As comunidades mais afetadas foram:
- Venda Velha
- Travessa Itacaré
- Coelho da Rocha
Volume recorde de precipitação e situação caótica
O Centro de Monitoramento e Operações da Defesa Civil registrou um acumulado pluviométrico extraordinário de 105,4 milímetros em 24 horas apenas no bairro Venda Velha. Outras localidades também apresentaram índices significativos:
- Jardim Sumaré: 43,0 mm
- Travessa Itacaré: 34,4 mm
- São Mateus: 29,6 mm
- Agostinho Porto: 15,8 mm
Moradores relataram cenas dramáticas de alagamentos generalizados. Na Rua Anastácio Correa, a situação foi descrita como "caótica" por Débora Xavier, que filmou carros completamente submersos e o trânsito paralisado. "A gente tem uma cachoeira agora na Venda Velha. Toda vez que chove é isso. A população não merece isso", desabafou a residente.
Histórico de problemas e ação judicial
Tânia, outra moradora do bairro, precisou ser resgatada após a água invadir sua residência e destruir todos os seus pertences. "Não tem uma cadeira pra sentar, o sofá foi submerso, tudo boiando", lamentou. Ela revelou que esta não é a primeira vez que enfrenta prejuízos materiais devido às enchentes, com um episódio similar ocorrido em julho de 2025.
Muitos residentes atribuem os alagamentos recorrentes às obras da empresa Prologis na região. A Prefeitura de São João de Meriti confirmou que ingressou com uma Ação Civil Pública contra a companhia, exigindo soluções definitivas para os impactos ambientais causados por suas atividades. A empresa não se manifestou sobre as acusações até o momento.
Monitoramento permanente e previsão preocupante
O protocolo do GRAC (Grupo de Resposta a Acidentes com Produtos Perigosos) foi ativado em regime de monitoramento contínuo, com equipes da Secretaria Municipal de Resiliência Urbana, Proteção e Defesa Civil atuando em toda a cidade. Embora as chuvas tenham cessado temporariamente, há previsão de novas pancadas de chuva nas próximas horas, mantendo as autoridades em estado de alerta.
Apesar do grande número de desalojados, a prefeitura informou que não há registros de desabrigados, indicando que as famílias afetadas conseguiram encontrar abrigo temporário com parentes ou em locais seguros. A situação continua sendo monitorada de perto pelas autoridades municipais e estaduais.



