Rio Juruá ultrapassa cota de transbordo em Cruzeiro do Sul, Acre, mas sem desabrigados
Rio Juruá ultrapassa cota de transbordo no Acre, sem desabrigados

O Rio Juruá ultrapassou a cota de transbordo de 13 metros em Cruzeiro do Sul, no interior do Acre, registrando 13,12 metros às 6h deste sábado (31), conforme dados da Defesa Civil municipal. Apesar do nível elevado, o boletim mais recente não aponta ocorrências de desabrigados ou desalojados na região.

Situação de emergência e áreas impactadas

A elevação do rio ocorre em meio a uma situação de emergência decretada pela prefeitura no dia 20 de janeiro, publicada oficialmente na última segunda-feira (26). A medida foi tomada após uma sequência de chuvas intensas que provocou o transbordamento dos rios locais, afetando a rotina de moradores tanto da zona urbana quanto rural.

Atualmente, oito bairros de Cruzeiro do Sul são impactados pela cheia: Várzea, Olivença, Miritizal, Beira Rio, Lagoa, Manoel Terças, Cruzeirinho e São Salvador. Na zona rural, oito comunidades ribeirinhas seguem sob monitoramento constante, incluindo Tapiri, Praia Grande, Laguinho, Florianópolis, Laguinho do Carvão, Estirão do Remanso, São Luiz e Lago do Sacado.

Monitoramento e ações preventivas

Desde a decretação da emergência, a Defesa Civil intensificou o acompanhamento do nível do rio, realizou vistorias em áreas de risco e manteve equipes prontas para atendimento imediato à população. A prefeitura mobilizou secretarias municipais para ações preventivas, focando na orientação dos moradores, levantamento de danos e preparação de estruturas de acolhimento, caso necessário.

A última cheia significativa, registrada em 17 de janeiro de 2026, afetou aproximadamente 1.650 famílias, o que corresponde a cerca de 6,6 mil pessoas. Desse total, ao menos 139 famílias ficaram sem energia elétrica e, consequentemente, sem acesso à água potável. Cinco dias depois, no dia 22, o rio saiu do cenário de alerta máximo.

Decreto de emergência e medidas autorizadas

O decreto de emergência, assinado pelo prefeito Zequinha Lima, classifica o cenário como Situação de Emergência Nível II, devido à magnitude dos danos e à incapacidade do município de lidar sozinho com os prejuízos. Entre as medidas autorizadas, destacam-se:

  • Mobilização total da máquina pública
  • Dispensa de licitação para ações emergenciais
  • Convocatória de voluntários
  • Possibilidade de entrada forçada em imóveis para resgate ou evacuação em caso de risco iminente
  • Uso temporário de propriedades particulares
  • Processos de desapropriação de áreas consideradas de alto risco

O decreto também permite a dispensa de licitação para contratação de bens, serviços e obras emergenciais relacionadas à resposta ao desastre, com contratos limitados a 180 dias. A situação de emergência tem validade de seis meses, podendo ser reavaliada a qualquer momento, e prevê a busca por apoio dos governos estadual e federal para complementar os recursos necessários.

Alerta mantido e previsões climáticas

Mesmo sem registros de famílias fora de casa até este sábado (31), o município mantém o alerta devido à previsão de continuidade das chuvas nos próximos dias. A Defesa Civil segue monitorando de perto as condições meteorológicas e o comportamento do Rio Juruá, garantindo que a população esteja informada e preparada para eventuais mudanças no cenário.

A experiência recente com a cheia de janeiro reforça a importância das medidas preventivas e da rápida resposta das autoridades locais. A comunidade, por sua vez, demonstra resiliência diante dos desafios impostos pelas enchentes recorrentes na região do Vale do Juruá, área conhecida por sua vulnerabilidade econômica e ambiental.