O Rio Acre, que estava em transbordo há quase uma semana, apresentou uma vazante na capital acreana, Rio Branco. De acordo com a Defesa Civil Municipal, na medição das 9h desta terça-feira (3), o manancial marcou 15,23 metros, registrando uma baixa de 21 centímetros em relação ao nível do dia anterior, que era de 15,44 metros no mesmo horário.
Situação ainda crítica apesar da vazante
Apesar do recuo, o Rio Acre segue acima da cota de transbordo, que é fixada em 14 metros. Esta é a terceira vez em menos de dois meses que o rio transborda na capital, impactando diretamente ou indiretamente mais de 12 mil pessoas. Desse total, cerca de sete mil estão na zona urbana e cinco mil na zona rural.
Bairros prioritários e números detalhados
Diante desse cenário, a Defesa Civil prioriza os bairros que costumam ser os primeiros a sofrer os impactos quando o nível do manancial supera a marca de transbordo. Entre as áreas mais afetadas estão Ayrton Senna, Base, Seis de Agosto, Cidade Nova, Cadeia Velha, Baixada da Habitasa, Triângulo e Palheiral.
Conforme os dados atualizados da Defesa Civil de Rio Branco nesta terça-feira (3), a situação é a seguinte:
- 30 bairros afetados
- 1.949 famílias atingidas na zona urbana, cerca de 7 mil pessoas
- 1.250 famílias atingidas na zona rural, cerca de 5 mil pessoas
- 39 famílias no Parque de Exposições em situação de desabrigo, totalizando 115 pessoas e 26 animais
- 22 famílias desalojadas, somando 74 pessoas
- 23 comunidades rurais afetadas
Oscilações e previsões para os próximos dias
O coordenador da Defesa Civil Municipal, tenente-coronel Cláudio Falcão, explicou que, apesar de não haver uma nova previsão imediata, a situação ainda exige atenção. Segundo ele, o período mais crítico do inverno amazônico ainda não acabou.
“Nos próximos dias a gente espera novas oscilações. Estamos no começo de fevereiro e ainda temos todo o mês [de fevereiro] e também março pela frente. O rio pode chegar perto de 15,5 metros, baixar um pouco e voltar a subir. Existe, sim, a possibilidade de outros transbordamentos, que podem ser mais fortes do que os atuais”, afirmou.
Histórico recente de transbordamentos
A oscilação no nível do rio é provocada pelo volume elevado de chuvas. Em janeiro, o acumulado pluviométrico já superou a média histórica esperada e ultrapassou os 570 milímetros na última segunda (26), enquanto a previsão para o mês inteiro era de 287,5 milímetros.
De acordo com o monitoramento oficial, o manancial está acima da cota de atenção desde o dia 11 de janeiro, quando marcou 10,44 metros e ultrapassou a marca pela 4ª vez em 1 mês após chuvas intensas na capital que causaram o transbordamento do Rio Acre pela segunda vez em menos de 30 dias.
Confira abaixo o histórico de transbordo do principal manancial do estado no último ano:
- O primeiro transbordamento ocorreu em 10 de março de 2025, quando o nível chegou a 14,13 metros naquele dia. A maior medição daquele período foi de 15,88 metros, quando atingiu mais de 30 mil pessoas.
- O segundo ocorreu em 27 de dezembro do mesmo ano, quando o rio subiu cerca de quatro metros em menos de 24 horas e alcançou 14,03 metros. O nível chegou a 15,41 metros e atingiu mais de 20 mil pessoas.
- O terceiro foi no dia 16 de janeiro, com o manancial marcando 14,01 metros na medição das 15h.
- A quarta vez ocorreu na última quinta-feira (29), quando o manancial marcou 14 metros na medição das 18h e transbordou pela terceira vez em menos de dois meses e pela quarta em menos de um ano.
Ao longo da segunda-feira (2), o nível do Rio Acre apresentou pequenas oscilações, mas se manteve relativamente estável durante todo o dia. Na medição das 12h, o rio havia recuado um centímetro e marcou 15,43 metros, mas subiu para 15,44 metros às 15h e voltou a recuar para 15,43 metros às 18h. Já à noite, às 21h, o nível caiu para 15,42 metros e ficou nesta marca até a medição da meia-noite.