Após oito dias consecutivos em situação de transbordamento, o Rio Acre finalmente começou a apresentar uma vazante significativa na capital acreana. Neste sábado (24), o manancial saiu da cota crítica de transbordamento, marcando um alívio para a população de Rio Branco que enfrenta os impactos da segunda enchente em menos de um mês.
Monitoramento detalhado do nível do rio
Segundo dados oficiais da Defesa Civil Municipal, a medição realizada às 5h deste sábado registrou 13,98 metros, indicando que o rio havia saído da cota de transbordamento de 14 metros. Quatro horas depois, às 9h, o nível havia baixado ainda mais para 13,86 metros, demonstrando uma tendência consistente de redução.
Nas últimas 24 horas, o Rio Acre apresentou uma redução expressiva de 59 centímetros. Na sexta-feira (23), às 5h, o nível estava em 14,57 metros, recuando para 14,51 metros no mesmo dia às 9h. Essa diminuição gradual oferece esperança para as comunidades afetadas, embora a situação ainda exija atenção constante.
Impactos humanos da enchente
Apesar da vazante, os efeitos da cheia continuam afetando centenas de famílias na capital acreana. A Defesa Civil Municipal informou à Rede Amazônica que 10 famílias permanecem abrigadas no Parque de Exposições Wildy Viana, local que conta com 74 abrigos montados para atender à população desabrigada.
Na área rural, a situação é igualmente preocupante. Quinze comunidades foram afetadas pelas águas, com destaque para Panorama, Belo Jardim, Liberdade, Catuaba e Vista Alegre. Além disso, sete famílias indígenas precisaram ser removidas para um abrigo instalado na Escola Leôncio de Carvalho, demonstrando a amplitude dos impactos sociais dessa enchente.
Contexto histórico da cheia
O Rio Acre transbordou há oito dias, quando atingiu a marca de 14,01 metros. Desde então, o nível oscilou constantemente, mantendo-se acima dos 14 metros durante todo esse período. O pico desta enchente ocorreu na quinta-feira (22), quando o rio registrou 14,71 metros na capital.
Vale destacar que essa marca ainda está significativamente abaixo do recorde histórico de 18,40 metros registrado em 4 de março de 2015, considerada a maior cheia já documentada. Atualmente, o nível está 3,39 metros abaixo dessa marca histórica, o que ameniza parcialmente os danos potenciais.
Fatores climáticos e meteorológicos
A redução do nível do Rio Acre coincide com a diminuição das chuvas na capital acreana. O manancial começou a recuar ainda no fim da tarde de quinta-feira, seguindo o padrão natural de resposta às condições climáticas locais.
Contudo, o tenente-coronel Claúdio Falcão, coordenador da Defesa Civil, alerta que o volume de chuva acumulado em janeiro já ultrapassa significativamente a média prevista para o mês. A previsão inicial era de 287,5 milímetros, mas os registros atuais indicam valores bem acima desse patamar.
"Essa elevação não ocorre exclusivamente por causa da chuva. A chuva tem um grande percentual nesse aumento, mas também tem a contribuição das águas que vêm de montante", explicou o coordenador, destacando a complexidade dos fatores que influenciam o comportamento do rio.
Estatísticas atualizadas dos impactos
Conforme o levantamento mais recente da Defesa Civil de Rio Branco, os números da enchente são alarmantes:
- 27 bairros afetados na zona urbana
- 633 famílias atingidas na zona urbana, totalizando aproximadamente 2.286 pessoas
- 250 famílias atingidas na zona rural, cerca de mil pessoas
- 10 famílias abrigadas no Parque de Exposições, com 25 pessoas e onze animais
- 6 famílias desalojadas, somando 15 pessoas
- 15 comunidades rurais afetadas diretamente
Este cenário se mantém há cerca de uma semana em Rio Branco, desde que a marca de transbordamento foi ultrapassada na última sexta-feira (16). Mais de duas mil pessoas de 27 bairros estão sendo impactadas pela segunda enchente em menos de 1 mês, que representa ainda a terceira ocorrência do tipo em menos de um ano.
Comparativo com eventos anteriores
A recorrência de enchentes no Rio Acre tem preocupado autoridades e população. No final do ano passado, o rio atingiu a cota de 15 metros pela segunda vez no dia 28 de dezembro de 2025, quando registrou 15,04 metros na medição do meio-dia.
No dia seguinte, 29 de dezembro, o nível chegou a 15,41 metros, afetando mais de 20 mil pessoas. Esses eventos recentes demonstram uma tendência de aumento na frequência e intensidade das cheias, exigindo planejamento urbano e medidas preventivas mais robustas.
A atual enchente, embora menos severa que a de dezembro, ainda representa um desafio significativo para a infraestrutura e os serviços públicos de Rio Branco. A Defesa Civil continua monitorando constantemente o nível do rio e prestando assistência às famílias afetadas, enquanto a população aguarda uma normalização completa da situação.