Rio Acre em vazante, mas 39 famílias ainda desabrigadas em Rio Branco
Rio Acre em vazante, mas famílias ainda desabrigadas

Rio Acre em vazante, mas famílias desabrigadas aguardam retorno em Rio Branco

O Rio Acre marcou 11,65 metros na medição das 12h desta sexta-feira (6), mantendo uma tendência de vazante que já dura quatro dias em Rio Branco, no Acre. No entanto, as 39 famílias desabrigadas pela segunda cheia do rio em janeiro ainda não podem retornar para suas residências, conforme informou a Defesa Civil Municipal.

Defesa Civil estabelece critério para retorno das famílias

Segundo o órgão, o retorno das famílias só deve ocorrer quando o nível do manancial atingir a marca de 10 metros, que é a cota de atenção estabelecida. A previsão da Defesa Civil indica que isso pode acontecer a partir da próxima segunda-feira (9), oferecendo um alívio para os desabrigados que estão abrigados no Parque de Exposições Wildy Viana.

Apesar da queda recente, o Rio Acre segue 1,65 metros acima da cota de atenção, mantendo um cenário que exige cautela. O rio está acima desse nível desde o dia 11 de janeiro, quando marcou 10,44 metros na medição das 5h, ultrapassando a marca pela quarta vez desde 9 de dezembro.

Impacto da enchente atinge mais de 12 mil pessoas

Conforme dados atualizados da Defesa Civil de Rio Branco, a última enchente atingiu, direta ou indiretamente, mais de 12 mil pessoas. Desse total, cerca de 7 mil estão na zona urbana e 5 mil na zona rural, refletindo a extensão do impacto em diferentes comunidades.

Os números detalhados do levantamento mostram:

  • 30 bairros afetados na cidade;
  • 1.949 famílias atingidas na zona urbana, totalizando aproximadamente 7 mil pessoas;
  • 1.250 famílias atingidas na zona rural, somando cerca de 5 mil pessoas;
  • 39 famílias desabrigadas no Parque de Exposições, com 115 pessoas e 26 animais;
  • 22 famílias desalojadas, envolvendo 74 pessoas;
  • 23 comunidades rurais impactadas pela cheia.

Histórico recente das cheias do Rio Acre

O Rio Acre tem apresentado flutuações significativas nos últimos meses, com vários episódios de elevação acima da cota de atenção. Veja os principais momentos:

  1. 9 de dezembro: O rio marcou 10,16 metros, influenciado por um forte temporal, retraindo após 18h do mesmo dia.
  2. 19 de dezembro: Atingiu 10,08 metros, permanecendo nesse nível até 22 de dezembro devido ao acúmulo de chuvas.
  3. 27 de dezembro: Subiu para 13,73 metros, um aumento de mais de 4 metros em 24 horas, transbordando e mantendo-se alto até 31 de dezembro.
  4. 11 de janeiro: Marcou 10,44 metros, com aumento de 95 centímetros, e segue acima da marca há quase um mês.

Na medição desta sexta-feira, o quantitativo de 11,65 metros representa um recuo de 1,33 metros em relação à medição das 9h de quinta-feira (5), quando o manancial estava em 12,98 metros e saiu da cota de alerta após uma semana. Além disso, o rio saiu da cota de transbordamento, fixada em 14 metros, na tarde de quarta-feira (4), ao marcar 13,99 metros.

Cotas estabelecidas e condições climáticas

A Defesa Civil define cotas específicas para monitorar o Rio Acre:

  • Cota de atenção: 10 metros ⚠️
  • Cota de alerta: 13,50 metros
  • Cota de transbordamento: 14 metros ❗

A oscilação no nível do rio é diretamente influenciada pelo volume elevado de chuvas na região. Em janeiro, o acumulado pluviométrico ficou 120% acima da média histórica, fechando o mês com 644,9 milímetros de chuva, enquanto a previsão era de 287,5 milímetros.

Para fevereiro, a previsão é de cerca de 300 milímetros de chuva, mantendo o cenário de atenção para novas variações no nível do manancial. A Defesa Civil ressalta que novas elevações não estão descartadas e que o período mais crítico do inverno amazônico ainda não terminou, com alerta de cheia mantido até abril.

Apesar da vazante atual, a situação exige monitoramento contínuo, pois as famílias desabrigadas aguardam ansiosamente o momento seguro para retornar a seus lares, enquanto a comunidade local se mobiliza para oferecer suporte durante esse período desafiador.