Rio Acre em vazante permite retorno de famílias abrigadas no Parque de Exposições em Rio Branco
Rio Acre em vazante: famílias retornam a casa em Rio Branco

O Rio Acre segue em processo de vazante nesta segunda-feira (9), marcando 9,89 metros na medição das 5h realizada pela Defesa Civil Municipal de Rio Branco. Após quase um mês acima da cota de atenção, com duas cheias registradas em menos de 30 dias, o manancial finalmente permite o retorno gradual das famílias que estavam abrigadas no Parque de Exposições Wildy Viana.

Retorno às origens com sentimentos mistos

Ao todo, 39 famílias, somando 115 pessoas e 26 animais, começaram a deixar o espaço de acolhimento na manhã desta segunda-feira. Entre elas está a aposentada Valdeniza Alves, moradora da região do bairro Cadeia Velha, que expressou gratidão pelo tratamento recebido durante o período no abrigo.

"Eu não tenho casa, mas estou feliz. Fui muito bem recebida aqui. Não sei se vou vir de novo, quem sabe é Deus. Nós somos como uma vela, se apaga a qualquer hora. Mas eu agradeço porque fui muito bem recebida. Estou saindo daqui hoje com vida e saúde, e isso já é muito", declarou Valdeniza, destacando que não passou fome nem enfrentou intempéries durante sua estadia.

Desafios cíclicos e apoio essencial

Ângela Souza, dona de casa também do bairro Cadeia Velha, compartilhou a dificuldade recorrente enfrentada por moradores de áreas alagáveis: "O processo mais difícil é perder coisas que a gente luta o ano todo para comprar. Às vezes a água vem rápido e não dá tempo de tirar tudo. Mas a gente sai pela vida. Aqui a gente encontra apoio, médicos, psicólogos. Hoje, a minha palavra é gratidão ao atendimento que tive".

Para Nicole Oliveira, moradora do bairro Ayrton Sena há cinco anos e grávida do segundo filho, a saída do abrigo representa alívio e tranquilidade: "É ótimo voltar para casa, ficar no cantinho da gente. Moro com meu marido e minha filha. Fiquei com medo de ter o bebê aqui. Agora, voltar para casa traz mais tranquilidade".

Histórico recente das cheias

O Rio Acre enfrentou um período crítico nas últimas semanas:

  • A primeira cheia ocorreu em 16 de janeiro, quando o manancial transbordou atingindo 14,01 metros
  • Após oito dias consecutivos de transbordamento, o rio começou a baixar em 24 de janeiro
  • A segunda cheia foi registrada em 29 de janeiro, com o rio atingindo 14 metros novamente
  • O pico foi alcançado em 2 de fevereiro, quando o nível chegou a 15,44 metros, afetando mais de 12 mil pessoas direta e indiretamente na capital

Cenário ainda exige atenção

Apesar da vazante atual, a Defesa Civil alerta que a situação ainda requer monitoramento constante. O período mais crítico do inverno amazônico ainda não terminou, e novas elevações não estão descartadas. Para fevereiro, a previsão é de aproximadamente 300 milímetros de chuva, mantendo o cenário de alerta para variações no nível do manancial.

O município de Rio Branco registrou chuvas significativas em janeiro, com acumulado superior a 600 milímetros, ficando mais de 120% acima da média histórica para o período. Essa condição climática atípica contribuiu para as cheias sucessivas que mantiveram o Rio Acre em estado de atenção por quase um mês consecutivo.

O retorno das famílias ao seus lares representa um momento de alívio após semanas de incerteza, mas a população ribeirinha permanece atenta aos caprichos do manancial que define o ritmo de vida na capital acreana.