Redescoberta de monumento histórico
Uma pedra de quase 400 kg, esculpida em 1958 para celebrar os 50 anos da imigração japonesa ao Brasil, foi reencontrada após ficar décadas perdida em uma propriedade rural no Bairro Tucuruvi, em Adamantina (SP). A peça, que possui quase 70 anos, foi doada ao Museu e Arquivo Histórico de Adamantina “Setsu Onishi” no início de abril.
Significado para a comunidade nipo-brasileira
O artefato, que poderia ser considerado apenas “uma pedra no caminho”, carrega um significado importante para a comunidade nipo-brasileira da região. A professora Noriko Onishi Saito, de 77 anos, representante da comunidade em Adamantina, relembra a importância da pedra, lapidada por seus pais, Bunkiti Onishi e Setsu Onishi. “Na hora, quando eu vi, eu já reconheci que era um trabalho feito pelos meus pais, que a minha mãe escreveu na época, com todo o capricho, cuidado. Ela gravava [os símbolos] com um pincel próprio, para fazer a caligrafia, cada detalhe”, relembra.
História da criação
Bunkiti Onishi, imigrante japonês, veio ao Brasil com conhecimento em trabalhar com pedras, fabricando túmulos e artefatos de cimento. A pedra foi encomendada pelos moradores do bairro Tucuruvi como homenagem aos primeiros imigrantes japoneses. “A resolução desse monumento era em homenagem aos primeiros imigrantes que vieram ao Brasil, os 50 anos da imigração japonesa. E os moradores do bairro Tucuruvi resolveram prestar a homenagem e pediram para o meu pai fazer a peça”, conta Noriko.
Localização original
A pedra ficava no pátio da Associação Nipo-Brasileira do bairro Tucuruvi, região que concentrava a produção de 300 mil pés de café por mais de 160 famílias japonesas. A entidade servia como ponto de encontro e lazer para os imigrantes. No entanto, com o tempo, o artefato foi esquecido.
Esquecimento e redescoberta
Segundo Gislaine Targa, secretária municipal de Cultura e Turismo de Adamantina, uma grande geada na década de 1970 devastou quase 100% dos cafezais, levando muitos migrantes a deixarem a região. “A vila Tucuruvi foi abandonada e, pelo tempo, cresceu o mato… A pedra tombou em função de talvez a própria terra ter se deslocado”, explica. Mais de 40 anos depois, um morador do sítio encontrou a pedra enquanto passava o trator para plantar. O produtor chamou o vizinho, da única família japonesa que ainda vive no bairro, ao perceber as gravuras.
Resgate da memória
Noriko Onishi Saito foi ao local e confirmou a autoria. “Para nós é muito importante. O resgate dessa pedra para nós foi fundamental, para que não esqueçamos dos nossos antepassados.” Hoje, a pedra é o único artefato que lembra o pioneirismo da comunidade nipo-brasileira no bairro Tucuruvi. A peça está agora no Museu e Arquivo Histórico de Adamantina “Setsu Onishi”, que leva o nome da mãe de Noriko.



