Nevasca histórica no Japão causa 30 mortes e mobiliza tropas em meio a recordes de neve
Uma nevasca de proporções históricas atinge o Japão há duas semanas, resultando em um cenário de emergência com ao menos 30 mortos e centenas de feridos, conforme dados oficiais divulgados nesta terça-feira, 3 de fevereiro de 2026. O fenômeno climático extremo levou o governo da primeira-ministra Sanae Takaichi a mobilizar tropas das Forças de Autodefesa para auxiliar moradores em áreas severamente afetadas, além de emitir alertas urgentes para riscos de avalanches, desabamento de casas e queda de neve acumulada em telhados.
Recordes de neve e situações críticas
Embora o Japão esteja acostumado a invernos rigorosos, as tempestades deste ano superaram com folga as médias históricas, com volumes de neve acumulada ultrapassando o dobro do esperado para a época. A agência meteorológica japonesa atribui o fenômeno à persistência de uma massa de ar frio vinda do Ártico, que tem causado condições climáticas excepcionais em todo o país.
O caso mais extremo ocorre na cidade de Aomori, localizada no norte do Japão, onde o acúmulo de neve chegou a impressionantes 183 centímetros em algumas áreas, marcando o maior registro em quase 40 anos. A espessura média no solo superou 175 centímetros, quebrando o recorde anterior estabelecido em 1986. O governador da província, Soichiro Miyashita, descreveu a situação como um risco iminente à vida, destacando acidentes fatais provocados pela queda de neve de telhados e pelo colapso de edifícios.
Vítimas e impactos humanitários
A província de Niigata concentra o maior número de mortes, com ao menos 12 registros confirmados. Segundo a emissora pública NHK, dois homens morreram após serem arrastados por uma correnteza em um canal usado para o descarte de neve. Outros casos envolvem quedas de telhados, desabamentos e mal súbito durante o trabalho de remoção da neve, com vítimas também registradas nas províncias de Akita, Hokkaido e Aomori, além de outros estados do norte e do oeste japonês.
Entre as vítimas está uma mulher de 91 anos, encontrada soterrada sob cerca de três metros de neve em frente à própria casa. As autoridades afirmam que muitos dos mortos eram idosos que viviam sozinhos e tentavam limpar o entorno de suas residências quando sofreram acidentes ou passaram mal, evidenciando a vulnerabilidade de populações mais velhas em desastres naturais.
Infraestrutura severamente afetada
A nevasca histórica causou sérios transtornos à infraestrutura do país, com impactos significativos em transportes e serviços públicos. O principal aeroporto de Hokkaido foi fechado temporariamente na semana passada, deixando centenas de passageiros retidos. Rodovias foram interditadas, serviços ferroviários sofreram atrasos consideráveis e milhares de quilômetros de estradas precisaram ser liberados por equipes de limpeza.
Em Sapporo, cerca de 1.000 veículos limpa-neve foram mobilizados para desobstruir mais de 3.800 quilômetros de vias, demonstrando a magnitude dos esforços necessários para restaurar a normalidade. Há ainda o risco de interrupções no fornecimento de energia em algumas regiões, devido ao peso da neve sobre redes elétricas e estruturas urbanas, o que pode agravar ainda mais a crise.
Contexto político e medidas governamentais
O cenário preocupa o governo às vésperas das eleições parlamentares marcadas para domingo, 8 de fevereiro, as primeiras em 36 anos realizadas em pleno inverno. Em reunião emergencial do gabinete nesta terça-feira, a primeira-ministra Sanae Takaichi pediu que os ministros adotem todas as medidas possíveis para evitar novas mortes e acidentes, além de orientar a população a acompanhar atentamente os alertas meteorológicos.
A mobilização de tropas e a emissão de alertas refletem a gravidade da situação, com o governo enfatizando a necessidade de uma resposta coordenada para mitigar os efeitos da nevasca recorde. Este evento climático extremo serve como um alerta sobre os desafios impostos pelas mudanças climáticas e a importância de preparação adequada para desastres naturais em um país frequentemente exposto a fenômenos severos.