Estudantes enfrentam risco diário em ponte comprometida por cheia no Acre
Estudantes arriscam vida em ponte danificada por cheia no Acre

Estudantes enfrentam travessia perigosa em ponte danificada por enchente no interior do Acre

A ponte sobre o Igarapé Rapirrã, que conecta o município de Plácido de Castro, no Acre, à Vila Evo Morales, na Bolívia, permanece completamente interditada para o tráfego de veículos. A decisão foi tomada por órgãos estaduais e municipais após uma vistoria técnica que identificou sérios comprometimentos na estrutura, incluindo colapso em partes como o balanço e a transversina. A interdição, que começou no final de março, é resultado direto da cheia do Rio Abunã, que já afeta centenas de moradores na região.

Travessia arriscada para pedestres e ciclistas

Apesar da proibição para veículos, a travessia ainda é permitida para pedestres e ciclistas, uma situação que, segundo relatos de moradores, oferece riscos significativos. Estudantes que cruzam a fronteira para cursar medicina na Bolívia descreveram ao g1 o medo constante de utilizar a ponte a pé para chegar às aulas.

Osvaldo Junior, de 39 anos, detalhou sua rotina perigosa: "Sai de Rio Branco ainda de madrugada para chegar em Plácido de Castro. Para chegar a pé na faculdade são em média 20 minutos, andando rápido. Há um desgaste maior e fora o risco, porque se ela foi interditada, é porque corre o risco de acidente com pedestre. A gente tem que ir, porque tem que estudar, mas é nesse risco diário".

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Dificuldades no percurso e improvisações

A estudante Alexandria Jardim também compartilhou as adversidades enfrentadas. Seu trajeto começa em Senador Guiomard, a 73 km da cidade fronteiriça: "Às vezes a gente pega chuva, tem estrada de barro, então chegamos sujos na faculdade, atrasados. Sem contar que percorremos todo o caminho, passa por estrada esburacada, chega aqui e tem que passar por isso".

Ela ainda mencionou as amarrações improvisadas com cordas usadas para dar sustentação à ponte: "No começo, a gente sabia que estava sujeito a esse risco, sempre tem essas alagações, eles seguram a ponte com corda, a esperança é que elas não quebrem".

Sem a passagem de veículos, os estudantes têm recorrido a alternativas precárias. Amanda Vitória, moradora de Plácido de Castro, explicou: "Tem alunos que pagam para ir até a faculdade, vão em pé atrás de carro. O ramal não dá acesso por causa da lama".

Impacto econômico e situação da cheia

Do lado boliviano, comerciantes também relatam prejuízos significativos. Ruan Sousa, comerciante local, afirmou: "O comércio fica prejudicado porque tanto Bolívia quanto Brasil precisam um do outro. Quando os carros passam, a ponte treme, é perigoso. É necessário fazer uma intervenção".

A situação da ponte ocorre em meio à elevação crítica do nível do Rio Abunã, que atingiu 12,93 metros, ultrapassando em 33 centímetros a cota de transbordo. Pelo menos três comunidades foram alagadas, afetando mais de 100 famílias. Na área urbana, duas famílias precisaram deixar suas casas, sendo acolhidas por parentes e amigos.

Entre os dias 1º e 3 de abril, o município registrou aproximadamente 280 milímetros de chuva, levando o governo do estado a decretar situação de emergência em Plácido de Castro e outros cinco municípios. Na última terça-feira (7), engenheiros do Deracre realizaram nova vistoria e mantiveram a recomendação de interdição.

Perspectivas futuras

Em nota oficial, os órgãos responsáveis reforçaram que a liberação para veículos só ocorrerá após a redução do nível da água e uma nova análise detalhada da estrutura. A interdição deve continuar até que as condições permitam uma avaliação segura e possíveis reparos.

Enquanto isso, estudantes e moradores seguem enfrentando desafios diários, equilibrando a necessidade de educação e trabalho com os riscos impostos pela infraestrutura comprometida. A situação evidencia a vulnerabilidade de comunidades fronteiriças frente a eventos climáticos extremos e a urgência de investimentos em infraestrutura resiliente.

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