Enxurrada no Acre causa transtornos e preocupa autoridades
Um intenso temporal atingiu as cidades de Brasiléia, Epitaciolândia e Xapuri, no interior do estado do Acre, nesta quinta-feira (16), provocando alagamentos significativos em residências e comércios. Segundo dados da Defesa Civil de Brasiléia, o volume pluviométrico ultrapassou a marca de 200 milímetros em apenas quatro horas, configurando um dos maiores registros de precipitação na história recente da região.
Brasiléia em alerta com ruas tomadas pela água
Em Brasiléia, a Rua do Areal foi completamente inundada, obrigando a interrupção do tráfego veicular. Vídeos compartilhados por moradores mostram a água invadindo vias públicas e adentrando propriedades residenciais. O coordenador da Defesa Civil municipal, Francisco Andrade Lima, destacou a gravidade da situação: "Essa é uma das maiores chuvas já registradas em Brasiléia e o tempo continua fechado com previsão de mais chuvas. A água adentrou várias casas mas já está baixando, embora o rio esteja bem abaixo, o que nos preocupa são as enxurradas".
Até o momento da última atualização, não houve necessidade de remoção de moradores de suas residências em Brasiléia. No entanto, os estragos são visíveis, incluindo a formação de uma cratera em uma das vias afetadas. Em cenas dramáticas, pais foram flagrados carregando crianças nas costas para evitar que fossem arrastadas pela correnteza.
Prefeito avalia novo decreto de emergência
O prefeito de Brasiléia, Carlos Armando Alves, conhecido como Carlinhos do Pelado, esteve presente no bairro Alberto Castro, uma das áreas mais impactadas. Ele supervisionou os trabalhos das equipes municipais, que atuam na retirada de entulhos e lixos para desobstruir bueiros e sistemas de drenagem.
O gestor municipal expressou preocupação com a repetição do cenário crítico: "É uma chuva que não estávamos esperando, sobretudo, por ainda estarmos saindo de um decreto de emergência de uma enxurrada que houve entre janeiro e fevereiro, quando a chuva derrubou mais de 30 pontes na zona rural, contudo, vendo todo esse estrago agora, possivelmente a gente vai decretar estado de emergência mais uma vez".
Vale ressaltar que em 29 de janeiro, a Prefeitura de Brasiléia já havia decretado situação de emergência devido às fortes chuvas que assolaram a região, demonstrando a vulnerabilidade climática recorrente.
Xapuri também registra alagamentos significativos
Na cidade de Xapuri, o coordenador da Defesa Civil, sargento Marcelo Negreiros, informou que nas últimas quatro horas choveu aproximadamente 80 milímetros. Para todo o mês de abril, a expectativa do órgão era de 150 milímetros de precipitação, indicando que uma parcela substancial já foi alcançada em um curto período.
Negreiros explicou que dois pontos registraram ocorrências: o centro da cidade e o bairro Pantanal. "Fizemos o monitoramento e vimos que os moradores acabaram subindo os móveis, pois já sabem que são águas que não se elevam tanto", afirmou. Até o momento, não houve solicitações para retirada de moradores em Xapuri.
O locutor Ricardo Farias, de 57 anos e morador da região, relatou que cerca de 30 casas ficaram alagadas na Rua Major Salinas, no centro do município. "Foi muita chuva principalmente na parte baixa da cidade. Moro perto de uma torre e os raios atingiram muito a região, acabou a energia e fiquei sem internet", destacou ele, ilustrando os transtornos cotidianos causados pelo temporal.
Impactos e perspectivas para a região
Os alagamentos no Alto Acre evidenciam os desafios enfrentados por municípios brasileiros diante de eventos climáticos extremos. As enxurradas não apenas causam danos materiais imediatos, mas também interrompem a rotina dos cidadãos, afetando mobilidade urbana, serviços essenciais e a sensação de segurança.
A atuação coordenada entre Defesa Civil, prefeituras e comunidade se mostra crucial para mitigar os efeitos dessas intempéries. A possibilidade de um novo decreto de emergência em Brasiléia reforça a necessidade de investimentos contínuos em infraestrutura de drenagem e prevenção de desastres naturais.
Enquanto as águas começam a baixar, a população permanece atenta às previsões meteorológicas, que indicam a continuidade de chuvas na região. A resiliência dos acreanos será testada mais uma vez, com a esperança de que os danos sejam minimizados e a normalidade restabelecida o mais breve possível.



