Enxurrada na Baixada da Sobral causa estragos e prejuízos a mais de 1,1 mil famílias em Rio Branco
Uma semana após a forte enxurrada que atingiu a região da Baixada da Sobral, em Rio Branco, moradores continuam contabilizando os prejuízos materiais e enfrentando dificuldades na limpeza de suas residências. O evento climático, ocorrido na última terça-feira (14), afetou mais de 1,1 mil famílias, com água invadindo casas e causando danos significativos a móveis e eletrodomésticos.
Moradores relatam perdas financeiras e falta de apoio imediato
Entre os bairros mais impactados está o Plácido de Castro, onde residentes como Jacinto França enfrentam gastos extras para reparar equipamentos domésticos. "Já recuperamos um pouco, mas gastando dinheiro. Uma custou cerca de R$ 300 e outra R$ 200, a geladeira e a máquina de lavar roupa", relatou França, que recebeu apenas um pequeno kit de limpeza e não foi cadastrado para auxílio emergencial.
A situação se repete em outras residências, com moradores tendo que arcar com consertos e substituições de bens danificados pela água. Paulo Ferreira, também do bairro Plácido de Castro, destacou a preocupação com a poluição de um córrego próximo, que complica os esforços de limpeza. "Não tem nem como fazer uma limpeza, porque o igarapé está com essa sujeira que acaba chegando dentro de casa também", afirmou.
Prefeitura decreta situação de emergência e anuncia medidas de apoio
Diante da gravidade da situação, a Prefeitura de Rio Branco decretou situação de emergência na última quinta-feira (16), com vigência de 180 dias. O prefeito Alysson Bestene anunciou que a medida visa permitir intervenções necessárias para auxiliar a população afetada.
Entre as ações prometidas estão:
- Cadastramento das famílias atingidas pela Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (Sasdh) e Defesa Civil
- Entrega de cestas básicas e kits de limpeza para higienização das residências
- Encaminhamento de Projeto de Lei para instituir Benefício Emergencial Municipal (BEM) no valor de R$ 2 mil por família
Preocupações com saúde e infraestrutura persistem entre moradores
Além dos prejuízos materiais, os residentes expressam apreensão com questões de saúde pública. A água da enxurrada, misturada à poluição do córrego local, cria condições propícias para doenças. "Fica aquela lama dentro de casa para fazermos a limpeza e para comprar as coisas fica difícil, pois às vezes não temos recurso para comprar o remédio", comentou Paulo Ferreira.
A Defesa Civil Municipal informou que em apenas três horas choveu o equivalente a uma semana, com acumulado de 51,8 milímetros. Cinquenta e quatro ruas em diversos bairros necessitam de serviços de limpeza, evidenciando a extensão dos danos causados pela enxurrada.
Enquanto aguardam a implementação das medidas anunciadas pela prefeitura, os moradores continuam removendo entulhos e lama de suas propriedades, esperando por soluções duradouras para problemas recorrentes de alagamentos na região.



