Transbordamento de dique da Vale paralisa CSN e evacua 200 trabalhadores em Minas Gerais
Dique da Vale transborda e paralisa CSN em Minas Gerais

Transbordamento de dique da Vale paralisa operações da CSN e evacua 200 trabalhadores em Minas Gerais

Um transbordamento de dique da Vale, empresa global de mineração, provocou a paralisação completa das atividades da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e a retirada preventiva de aproximadamente 200 trabalhadores neste domingo, em Minas Gerais. O incidente ocorreu durante a madrugada, na divisa dos municípios de Pires e Congonhas, reacendendo alertas urgentes sobre a segurança de estruturas de contenção na região.

Água e lama invadem instalações da siderúrgica

A água e a lama provenientes do dique transbordado atingiram escritórios, oficinas e o almoxarifado da CSN, provocando um alagamento de cerca de 1,5 metro de altura. Como consequência direta, houve a interrupção da captação de água e a suspensão total das operações no local. Equipes da Defesa Civil e da Secretaria do Meio Ambiente foram imediatamente acionadas para monitorar a situação e avaliar os danos ambientais e estruturais.

Estrutura de responsabilidade exclusiva da Vale

O dique envolvido no episódio é de responsabilidade exclusiva da Vale, conforme confirmado pelas autoridades. A CSN, que opera em um terreno mais baixo nas proximidades, não compartilha estruturas com a mineradora, mas a proximidade física e o desnível do terreno permitiram que a lama escorresse até suas instalações industriais próprias. Até o momento, não há registro oficial de feridos, mas as equipes no local ainda aguardam informações detalhadas sobre a extensão dos prejuízos.

Reação e memória do desastre de Brumadinho

Este incidente reacende a tensão e a preocupação em torno da segurança de barragens e diques em Minas Gerais, trazendo à memória o desastre de Brumadinho, ocorrido em janeiro de 2019. Naquela tragédia, o rompimento de uma barragem da Vale liberou uma avalanche de rejeitos que matou 272 pessoas e causou devastação ambiental e social sem precedentes. Embora Brumadinho não seja vizinha imediata de Congonhas, os dois municípios estão separados por pouco mais de 50 quilômetros, o que intensifica a sensibilidade da população local a qualquer novo episódio envolvendo estruturas da mineração.

Monitoramento e pressão por fiscalização rigorosa

Desde a tragédia de 2019, barragens e diques da Vale permanecem sob monitoramento permanente de órgãos reguladores. Novos incidentes, mesmo sem vítimas, reforçam a pressão por fiscalização rigorosa, transparência e revisão dos riscos associados a essas estruturas em regiões industrializadas e densamente ocupadas. A comunidade e as autoridades exigem ações concretas para prevenir futuras ocorrências e garantir a segurança das operações minerárias no estado.