Chuvas intensas causam transtornos e interdições em diversas regiões de Campo Grande
Uma sequência de fortes chuvas acompanhadas de ventos significativos tem causado sérios transtornos em diferentes regiões de Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul. Os temporais persistem desde a última segunda-feira, dia 2, até esta quarta-feira, dia 4, resultando em uma série de incidentes que afetam a rotina dos moradores.
Queda de árvores e falta de energia no Jardim Cerejeiras
No bairro Jardim Cerejeiras, duas árvores de grande porte caíram, interditando completamente a Rua Manoel José Lopes. Os galhos atingiram diretamente a rede elétrica, provocando a interrupção do fornecimento de energia e impedindo o tráfego de veículos na área.
Segundo relatos de moradores, a primeira parte da árvore desabou por volta da 1 hora da madrugada, enquanto a segunda parte caiu horas mais tarde, agravando a situação. A rua foi sinalizada com cones de segurança, mas o acesso permaneceu bloqueado até o final da via.
Equipes especializadas da concessionária de energia e da Defesa Civil estiveram presentes no local ao longo do dia para realizar avaliações técnicas e proceder ao corte dos galhos. A retirada completa da árvore só foi possível após a segunda queda, prolongando os transtornos para os residentes.
Relato de morador sobre os impactos diretos
Um morador da região, Emerson Nantes, compartilhou sua experiência difícil. "Caiu primeiro uma parte da árvore, bloqueando o portão e energizando a estrutura, porque a outra metade estava encostada no poste", explicou ele. Emerson destacou que os moradores acionaram imediatamente a concessionária de energia, a Defesa Civil, o Corpo de Bombeiros e a Prefeitura Municipal.
"Estamos sem energia desde a madrugada. Não consigo tirar o carro e precisei carregar o celular no carro para trabalhar", afirmou o residente. De acordo com informações coletadas no local, pelo menos cinco casas ficaram completamente sem energia elétrica na região, impactando diretamente a qualidade de vida das famílias.
Incidente similar no bairro Tijuca
Outro ponto crítico foi registrado no bairro Tijuca, onde uma árvore de grande porte caiu na Rua Iambicuara, próximo ao cruzamento com a Avenida Dinamarca. A queda atingiu um poste de energia, derrubou a fiação elétrica e interditou a via para o tráfego de veículos.
Equipes do Corpo de Bombeiros atuaram rapidamente no corte dos galhos, enquanto a concessionária de energia desligou a rede como medida de segurança para evitar acidentes mais graves. Durante o processo, caminhões que passavam pela avenida acabaram puxando fios soltos, o que agravou ainda mais a situação de risco.
Estradas intransitáveis na Chácara dos Poderes
Na região da Chácara dos Poderes, as chuvas intensas deixaram estradas de acesso completamente intransitáveis. A SE-2, uma das principais vias da área, ficou tomada por lama e buracos profundos, impedindo a passagem de carros e caminhões.
Um motorista relatou que precisou transferir a carga de um caminhão para um triciclo para conseguir concluir uma entrega urgente. "Foi um serviço de duas horas que levaria 20 minutos se a estrada estivesse em condições", disse o profissional do transporte.
Moradores da região informaram que outras vias importantes, como a SE-1 e a EW-2, também apresentam buracos significativos, erosões avançadas e risco real de isolamento. "Todas as ruas estão praticamente na mesma situação. Carros baixos não conseguem passar", afirmou um residente que preferiu não se identificar.
Alertas meteorológicos e volumes pluviométricos recordes
Os volumes de chuva registrados nos últimos dias em Mato Grosso do Sul já ultrapassaram a média histórica esperada para todo o mês de fevereiro em diversos municípios. Dados técnicos do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima mostram acumulados elevados nas últimas 72 horas, com risco permanente de alagamentos e novos temporais em várias regiões do estado.
Corguinho é o município com o maior volume registrado: impressionantes 315 milímetros de chuva em apenas três dias, o que representa 63% acima da média prevista para todo o mês. Segundo a Defesa Civil Estadual, a cidade deve decretar situação de emergência em breve.
Outros municípios também registraram volumes extraordinários no mesmo período:
- São Gabriel do Oeste acumulou 294 milímetros
- Coxim registrou 198 milímetros
- Campo Grande teve 174 milímetros
Para um período de apenas três dias, esses índices são considerados extremamente altos pelos especialistas em meteorologia.
Previsão climática para as próximas horas
O norte e o leste de Mato Grosso do Sul seguem em alerta máximo para temporais, conforme indicado por áreas em vermelho nos mapas meteorológicos oficiais. Nessas regiões, há previsão de chuva forte ao longo do dia, com possibilidade de acumulados significativos.
Cidades como Coxim, Rio Verde, Figueirão e Alcinópolis podem registrar volumes acima de 30 milímetros. Em Coxim especificamente, a previsão chega a 47 milímetros, e se esse volume cair em pouco tempo, o risco de alagamentos urbanos aumenta consideravelmente.
No oeste do estado, municípios como Anastácio, Aquidauana, Miranda e Bodoquena também devem enfrentar chuva forte. Apenas em Bodoquena há possibilidade de períodos de sol entre nuvens durante o dia. As temperaturas nessas áreas devem variar entre 27°C e 29°C.
Situação específica em Campo Grande
Na capital campo-grandense, o Instituto Nacional de Meteorologia registrou 58 milímetros de chuva nas últimas 24 horas. A previsão indica mais um dia chuvoso, com possibilidade de pancadas mais fortes durante a tarde e diminuição gradual da intensidade à noite.
As temperaturas na cidade devem variar entre 21°C e 24°C, com sensação térmica mais amena por causa dos ventos constantes. A chuva pode ocorrer de forma isolada e irregular, atingindo alguns bairros enquanto outros registram apenas céu nublado.
As autoridades municipais e estaduais continuam monitorando a situação de perto, enquanto as equipes de emergência trabalham para normalizar as condições nas áreas afetadas.