Chuvas intensas transformam morros em cachoeiras e causam deslizamentos em Guarujá
As fortes chuvas que atingiram a Baixada Santista, no litoral de São Paulo, nesta quinta-feira (5), causaram estragos significativos e uma situação de emergência no município de Guarujá. A cidade foi uma das mais afetadas pelo temporal, com acumulados pluviométricos alarmantes e riscos iminentes de deslizamentos de terra.
Volume de chuvas e estado de atenção
Em um período de 24 horas, Guarujá registrou um acumulado impressionante de 122 milímetros de chuva. Desse total, 108 milímetros caíram nas últimas três horas, demonstrando a intensidade repentina do temporal. Considerando um intervalo de 72 horas, o volume alcançou 106,7 milímetros. Diante desses números, o município se encontra oficialmente em estado de atenção, com autoridades em alerta máximo.
Fenômeno semelhante a cachoeiras e deslizamento registrado
Imagens gravadas por moradores e divulgadas nas redes sociais mostram a força destrutiva das águas. Na Rua da Árvore, no bairro Pedreira, a água escorre com tanta intensidade pelo morro que se assemelha a uma verdadeira cachoeira, arrastando terra e detritos em seu caminho.
Outro vídeo, capturado pela moradora Itacia Ferreira de Almeida na região da Vila Baiana, revela fenômeno similar. A água desce em alta velocidade pelo morro localizado na área de serviço de sua residência, na Rua Argentina, adquirindo uma coloração marrom devido à terra carregada.
Segundo apurações da TV Tribuna, afiliada da Rede Globo, um deslizamento de terra afetou diretamente três casas na Vila Baiana. Embora ninguém tenha ficado ferido, as paredes dessas residências foram destruídas pela força da terra. Imagens do local mostram uma área atingida onde existiam um quarto e um banheiro, agora soterrados.
Alertas extremos e evacuação preventiva
A Defesa Civil do Estado de São Paulo acionou uma sirene de emergência e emitiu dois alertas extremos devido ao alto risco de deslizamentos. As comunidades da Vila Baiana e da Barreira do João Guarda foram as mais preocupantes, com famílias sendo orientadas a deixar suas casas imediatamente.
A sirene de alerta remoto, instalada na Comunidade Barreira do João Guarda, foi disparada, e o plano de contingência foi ativado. Os moradores estão sendo direcionados para abrigos municipais até que o risco seja eliminado. "As chuvas se intensificaram durante a madrugada e não pararam pela manhã. Nas últimas 12 horas os acumulados já somam 118mm, volume considerado elevado para a região", informou a Defesa Civil em comunicado.
Pontos de abrigo e áreas monitoradas
A prefeitura de Guarujá disponibilizou cinco locais como abrigos temporários: a Escola Municipal Catarina de Oliveira Salgado, a Escola Municipal Herbert Henry Dow, a Escola Municipal Sérgio Pereira Rodrigues, a Escola Estadual Paulo Clemente Santini e o N.E.I.M. Agripina Alves de Barros. Os moradores devem seguir as rotas de fuga estabelecidas até esses pontos.
Além da Barreira do João Guarda e da Vila Baiana, outras áreas estão sob monitoramento rigoroso, incluindo o Morro do Macaco, Morro do Engenho, Morro do Bil e o próprio Morro da Baiana. A prefeitura ressaltou que, no Morro da Baiana, ocorreu um pequeno deslizamento em uma área já interditada e desocupada preventivamente, sem vítimas.
Impacto na Baixada Santista e preparativos
O temporal afetou toda a região da Baixada Santista, com registros de alagamentos e quedas de árvores em diversas cidades. Santos e Mongaguá também entraram em estado de atenção devido aos volumes pluviométricos elevados.
O prefeito de Guarujá, Farid Madi, acionou a equipe de contingenciamento da Defesa Civil e convocou todas as secretarias municipais para prontidão. "Estamos preparando, por precaução, todas as medidas para mitigar efeitos e, principalmente, proteger a vida dos nossos munícipes", afirmou Madi por meio de nota oficial. O acionamento de sirenes geralmente ocorre quando a chuva ultrapassa 45 a 50 milímetros em uma hora, patamar amplamente superado no episódio.