Chuva intensa e suspeita de rompimento de represas causam alagamentos graves em Bebedouro, SP
Chuva e suspeita de rompimento de represas causam alagamentos em Bebedouro

Chuva intensa e suspeita de rompimento de represas causam alagamentos graves em Bebedouro, SP

A Defesa Civil de Bebedouro, no interior de São Paulo, iniciou uma investigação para apurar se o alagamento que atingiu pelo menos 20 residências na cidade foi agravado pelo rompimento ou extravasamento de duas barragens localizadas em propriedades particulares na zona rural. O incidente ocorreu entre a noite de quinta-feira, 12 de setembro, e a madrugada de sexta-feira, 13 de setembro, quando a região registrou um volume pluviométrico impressionante de 175 milímetros de chuva.

Concentração das chuvas e suspeitas sobre as barragens

Segundo informações oficiais da Defesa Civil, a concentração maior das precipitações ocorreu nos distritos de Botafogo e Turvínia. Existe a suspeita de que duas empresas, situadas em propriedades particulares nesses locais, tenham rompido ou permitido o extravasamento de suas represas. Com isso, um grande volume de água foi direcionado para o Córrego Bebedouro, causando uma elevação abrupta no nível do curso d'água e resultando nos extensos alagamentos que afetaram a área urbana.

Luiz Antônio Luciano da Silva, coordenador da Defesa Civil local, explicou a dinâmica do evento: "[A água] Cai aqui no lago artificial e, do lago, deságua no córrego Bebedouro e o córrego Bebedouro é estreito, por isso que deu essa vazão muito grande. A gente recebeu a notícia do CGL que ia ter uma forte chuva aqui em Bebedouro e abaixamos o nível do lago. Isso também ajudou um pouco de não ter uma tragédia maior".

Ações emergenciais e decretação de situação de emergência

Em entrevista à EPTV, afiliada da TV Globo, o coordenador Silva destacou que a Defesa Civil vai investigar minuciosamente a origem da água para implementar medidas preventivas futuras. No entanto, a prioridade imediata tem sido atender os moradores diretamente afetados pelo temporal. Dois idosos, cujas casas foram invadidas pela água, já foram realocados para residências de familiares.

"A gente acionou o CGE, que é o Centro de Gerenciamento de Emergência da Defesa Civil e já está autorizado e está saindo um caminhão para ir buscar cobertor, colchão, mantimento, cesta básica, produto de higiene para entregar para essas famílias que foram atingidas", afirmou Silva, detalhando os esforços de assistência.

Na sexta-feira, as ruas que sofreram com os alagamentos passaram por processos de limpeza antes de serem reabertas para o tráfego de veículos. Diante da gravidade da situação, a prefeitura municipal decretou estado de emergência, mobilizando todos os recursos necessários para o enfrentamento da crise.

Relatos dos moradores e prejuízos materiais significativos

Os residentes das áreas inundadas enfrentaram momentos de grande apreensão e agora contabilizam prejuízos materiais consideráveis. Antônia Cabral, dona de casa, foi acordada durante a madrugada pela vizinha, alertando sobre a invasão das águas do córrego. "Eu acordei com a minha vizinha me gritando e se ela não me chama, eu não ia ouvir nada. Ia levantar com a água em cima de mim. A hora que eu acordei, a água já estava no meu joelho", relatou.

Ela descreveu a sexta-feira como um dia de intenso trabalho para limpar a residência e tentar salvar alguns pertences: "A geladeira está cheia de água, caiu no chão. A máquina de lavar roupa também caiu, encheu de água. Eu acho que teve muita perda".

Nielson Paulo, motorista, também viu sua casa ser atingida: "Foi subindo, subiu aí dentro 40 cm, porque a casa é um pouquinho alta. Mas subiu, pegou sofá, guarda-roupa, guarda-roupa novinho, cama". Ele e outros moradores destacaram que o Córrego Bebedouro não transbordava há muito tempo e que, curiosamente, não havia chuva no momento exato em que a água invadiu as moradias. "Sinceramente, não teve chuva. Aqui chove, enche, mas chega só até na rampa e vai embora", completou Paulo.

Monitoramento contínuo e ausência de vítimas

A Defesa Civil do Estado de São Paulo emitiu um comunicado informando que acompanhou todas as ocorrências registradas em Bebedouro. As equipes estaduais atuaram durante toda a noite no atendimento e monitoramento das áreas afetadas. Felizmente, conforme o órgão, não houve registro de vítimas fatais ou feridos em decorrência do evento climático e dos alagamentos subsequentes.

A investigação sobre o possível papel das barragens particulares no agravamento da inundação segue em andamento, enquanto a comunidade local se mobiliza para a recuperação dos danos e a prefeitura mantém os esforços para normalizar a situação na cidade.