Cheia do Rio Juruá afeta mais de 28 mil pessoas em Cruzeiro do Sul, no Acre
Cheia do Rio Juruá afeta 28 mil pessoas no Acre

Cheia do Rio Juruá afeta mais de 28 mil pessoas em Cruzeiro do Sul, no Acre

A situação de emergência em Cruzeiro do Sul, no interior do Acre, se agrava a cada hora com a contínua elevação do nível do Rio Juruá. Segundo a Defesa Civil municipal, a cheia já impacta diretamente 28.350 pessoas no município, um número que vem crescendo rapidamente nas últimas 24 horas. Na medição realizada às 6h deste sábado (4), o manancial registrou impressionantes 14,15 metros, mantendo-se bem acima da cota de transbordo, que é fixada em 13 metros.

Famílias afetadas e desabrigadas

O total de famílias afetadas direta ou indiretamente pela enchente já chega a 7.087, com a inundação atingindo bairros da zona urbana, comunidades rurais e vilas do município. Mais preocupante ainda é o aumento no número de desabrigados: 50 famílias já perderam suas casas e estão sendo abrigadas em escolas municipais adaptadas ou em residências de parentes. Este número representa um aumento significativo em relação aos 21 desabrigados registrados anteriormente.

Áreas atingidas e remoções

A cheia já afeta 12 bairros urbanos, incluindo Remanso, Várzea, Olivença, Mitirizal, Beira Rio, Lagoa, Manoel Terças, Cruzeirinho, São Salvador, Saboeiro, Centro e Boca do Moa. Nas zonas rurais, 15 comunidades enfrentam os impactos das águas, enquanto três vilas também estão sendo afetadas. A remoção dos moradores teve início na tarde da última terça-feira (31) e continua de forma organizada pela Defesa Civil.

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Os abrigos montados pela prefeitura estão localizados nas seguintes escolas municipais:

  • Escola Municipal Rita de Cássia, no bairro do Cruzeirão
  • Escola Municipal Corazita Negreiros, no bairro Cobal
  • Escola Municipal Padre Arnoud, no bairro Nossa Senhora das Graças
  • Escola Municipal Thaumaturgo de Azevedo, no bairro do Alumínio

As aulas nestas unidades serão suspensas assim que começarem a receber as famílias atingidas pelo aumento das águas. Caso o número de desabrigados continue subindo, outras escolas já foram pré-definidas como possíveis abrigos adicionais.

Serviços essenciais comprometidos

Além das remoções, a cheia já causou a suspensão da energia elétrica para 323 famílias como medida de segurança. O abastecimento de água também está comprometido em várias áreas. O Serviço de Água e Esgoto do Estado do Acre (Saneacre) realizou na última sexta-feira (3) uma ação emergencial com caminhão-pipa para garantir água potável às famílias afetadas, especialmente no bairro da Várzea.

Segundo o órgão, o fornecimento pela rede pública é interrompido em áreas alagadas para evitar a contaminação da água tratada, sendo adotado abastecimento alternativo para garantir água segura para consumo e uso doméstico.

Contexto histórico e outros rios

Historicamente, o período de maior ocorrência de cheias em Cruzeiro do Sul é entre o fim de fevereiro e o início de março, mas há registros também ao longo de abril. Nos últimos anos, as primeiras retiradas de famílias costumam ocorrer quando o rio atinge entre 13,50 metros e 13,60 metros.

A Defesa Civil informou ainda que outros rios da região também apresentam elevação preocupante no nível das águas, incluindo os rios Croa, Juruá Mirim e Valparaíso, ampliando a área de impacto da enchente.

Cheias recentes na região

Esta não é a primeira cheia significativa do ano em Cruzeiro do Sul. No dia 17 de janeiro, o município passou por uma enchente que afetou cerca de 1.650 famílias, aproximadamente 6,6 mil pessoas. Na ocasião, ao menos 139 famílias ficaram sem energia elétrica e, consequentemente, sem acesso à água potável.

Já no dia 31 de janeiro, o Rio Juruá também ultrapassou a cota de transbordo ao atingir 13,12 metros, mantendo o município em alerta máximo. A última enchente ocorreu no dia 24 de fevereiro, há mais de um mês, quando o manancial marcou 13,17 metros e atingiu nove bairros e oito comunidades rurais.

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O aumento no número de atingidos e de pessoas fora de casa em menos de 24 horas mostra claramente o avanço rápido e os impactos crescentes da enchente na região, exigindo resposta contínua das autoridades municipais e estaduais.