Cheia do Rio Juruá atinge quase 20 mil pessoas no interior do Acre
O constante aumento do nível do Rio Juruá, que registrou impressionantes 14,10 metros nesta sexta-feira (3), já afeta diretamente mais de 20 famílias em Cruzeiro do Sul, no interior do Acre. O manancial teve um aumento significativo de 14 centímetros em comparação ao dia anterior, mantendo a região em alerta máximo.
Famílias desabrigadas e números alarmantes
Ao todo, 21 famílias estão em abrigos montados pela prefeitura ou em casas de parentes, enquanto outras três estão completamente desalojadas. No total, 4.991 famílias e 19,6 mil pessoas são afetadas pela cheia que atinge, direta ou indiretamente, 12 bairros, 15 comunidades rurais e três vilas.
A Defesa Civil Municipal acompanha esses moradores com assistência contínua, fornecendo café da manhã, almoço, jantar e atendimento social nos abrigos. A cota de transbordo é de 13 metros, marca que foi ultrapassada na última segunda-feira (30), desencadeando a crise.
Escolas transformadas em abrigos
As famílias desabrigadas estão distribuídas nas seguintes escolas municipais:
- Escola Municipal Rita de Cássia, bairro do Cruzeirão - 10 famílias
- Escola Municipal Corazita Negreiros, bairro Cobal - cinco famílias
- Escola Municipal Padre Arnoud, bairro Nossa Senhora das Graças - cinco famílias
- Escola Municipal Thaumaturgo de Azevedo, bairro do Alumínio - uma família
Outras três famílias buscaram refúgio em casas de parentes. No total, 90 pessoas estão desabrigadas e instaladas nos locais disponibilizados pela prefeitura, que têm capacidade para receber até 27 famílias.
Medidas de emergência e áreas afetadas
A remoção dos moradores teve início na tarde da última terça-feira (31). Além da transferência para abrigos, também foi necessária a suspensão da energia elétrica para 323 famílias, agravando a situação de vulnerabilidade.
Foram definidos como abrigos adicionais pela prefeitura, caso o número de desabrigados continue subindo:
- Escola Rita de Cássia, no bairro Cruzeirão
- Escola Marcelino Champagnat, no bairro João Alves
- Escola Padre Arnould, na AC-405, bairro Nossa Senhora das Graças
- Escola Corazita Negreiros, no bairro Telégrafo
- Escola Estadual Cívico-Militar Madre Adelgundes Becker, no bairro Miritizal
As aulas nestas unidades serão suspensas assim que começarem a receber as famílias atingidas pelo aumento das águas.
Rios em elevação e histórico de cheias
A Defesa Civil informou ainda que os rios Croa, Juruá Mirim e Valparaíso também apresentam elevação no nível das águas, ampliando a área de risco. Historicamente, o período de maior ocorrência de cheias em Cruzeiro do Sul é entre o fim de fevereiro e o início de março, mas há registros também ao longo de abril.
Nos últimos anos, as primeiras retiradas de famílias costumam ocorrer quando o rio atinge entre 13,50 metros e 13,60 metros, indicando que a atual situação de 14,10 metros é particularmente grave.
Cheias recentes e situação de emergência
No dia 17 de janeiro deste ano, o município passou por uma cheia que afetou cerca de 1.650 famílias, aproximadamente 6,6 mil pessoas. Deste total, ao menos 139 famílias ficaram sem energia elétrica e, consequentemente, sem acesso à água potável.
Já no dia 31 de janeiro, o Rio Juruá também ultrapassou a cota de transbordo ao atingir 13,12 metros. Dias depois, em 2 de fevereiro, o nível chegou a 13,49 metros e também manteve o município em alerta máximo.
A última enchente ocorreu no dia 24 de fevereiro, há mais de um mês, quando o manancial marcou 13,17 metros e atingiu nove bairros e oito comunidades rurais. A prefeitura decretou situação de emergência no dia 20 de janeiro, após uma sequência de chuvas intensas que provocou o transbordamento dos rios da região.
A situação permanece crítica e a Defesa Civil continua monitorando o nível do rio e prestando assistência às famílias afetadas.



