Uma equipe de mergulhadores finlandeses especializados em missões de alto risco foi enviada para as Maldivas para auxiliar na recuperação dos corpos de quatro italianos que morreram durante uma expedição em cavernas submarinas. Os profissionais fazem parte da Divers Alert Network Europe (DAN), uma fundação europeia focada em medicina, segurança e seguros para mergulhadores, e estão colaborando com as Forças de Defesa Nacional das Maldivas (MNDF) na operação.
Reforço internacional na operação de resgate
Os mergulhadores Sami Paakkarinen, Jenni Westerlund e Patrik Grönqvist, todos finlandeses com vasta experiência em mergulho técnico e buscas em ambientes extremos, integram a equipe de resgate. Eles participaram da missão que localizou, nesta segunda-feira (18), os corpos de quatro italianos desaparecidos após o acidente. A operação durou três horas e utilizou equipamentos que reciclam oxigênio, permitindo permanência prolongada em grandes profundidades. Agora, a equipe se prepara para recuperar os corpos, que devem ser retirados da caverna submarina nesta terça (19) e quarta (20).
O governo das Maldivas classificou a missão como de “alto risco” por envolver áreas submarinas consideradas perigosas até mesmo para equipes especializadas em resgate. Ao todo, cinco mergulhadores italianos morreram, mas o corpo de um deles já havia sido resgatado na semana passada. O grupo explorava cavernas submarinas a cerca de 50 metros de profundidade no atol de Vaavu, onde a profundidade recomendada para mergulho recreativo é de aproximadamente 30 metros. Além dos italianos, um mergulhador que participava das buscas também morreu: o sargento-major Mohamed Mahudhee sofreu um problema de descompressão no sábado (16) e não resistiu.
Perfil dos mergulhadores finlandeses
Sami Paakkarinen
Sami Paakkarinen é mergulhador de cavernas, instrutor de mergulho técnico e cinegrafista subaquático. Ele mergulha desde 1995 e atua em explorações de cavernas e naufrágios desde 2004. Paakkarinen descobriu naufrágios históricos da Segunda Guerra Mundial no Mar Báltico e ajudou a mapear sistemas complexos de cavernas. Segundo a agência italiana Ansa, ele liderará a equipe de resgate nas Maldivas. Baseado na Finlândia, Sami ministra cursos de mergulho técnico em diferentes países. Integrante das equipes Divers of the Dark e Nordic Explorers, participou de expedições em cavernas desafiadoras e da descoberta de naufrágios no Mar Báltico. Em 2014, participou de uma complexa operação de recuperação de corpos na Noruega, quando dois mergulhadores finlandeses morreram durante uma expedição no vale de Plura, uma das cavernas submersas mais profundas do mundo, a mais de 100 metros de profundidade. As autoridades norueguesas consideraram a recuperação arriscada demais, mas amigos das vítimas organizaram uma missão própria para retirar os corpos, história que inspirou o documentário “Diving into the Unknown”.
Patrik Grönqvist
Patrik Grönqvist trabalha como bombeiro e mergulhador de resgate no Corpo de Bombeiros de Helsinque, na Finlândia. Também atua como fotógrafo subaquático e já participou de explorações em cavernas do sul da Europa. Ele tem mais de 30 anos de experiência em mergulho técnico e se dedica principalmente a operações em minas e cavernas submersas. O resgate nas Maldivas não é a primeira operação em que Grönqvist e Paakkarinen atuam juntos; Patrik também participou da missão na caverna Plura, na Noruega, em 2014. Durante a tragédia na Noruega, Patrik viu um dos amigos morrer durante a expedição, segundo uma reportagem da BBC Internacional. Ele foi um dos mergulhadores responsáveis pelos mergulhos mais profundos da operação, retratada no documentário “Mergulho no Desconhecido”.
Jenni Westerlund
Jenni Westerlund, a terceira integrante da equipe de resgate nas Maldivas, é especializada em operações em cavernas e ambientes profundos. Segundo o portal ScubaDivingIndustry, ela tem experiência em ambientes confinados e exigentes, incluindo minas inundadas e sistemas de cavernas. Westerlund também é especialista em mapeamento e filmagem subaquática e colabora há anos com Paakkarinen e Grönqvist, de acordo com a agência Ansa.
Detalhes do acidente
O grupo de italianos fazia um mergulho matinal perto de Alimathaa, uma das ilhas das Maldivas, e foi dado como desaparecido após não retornar à superfície até o meio-dia de quinta-feira, de acordo com relatos iniciais. As condições climáticas eram descritas como desfavoráveis, com alerta amarelo de mau tempo em vigor. “Após um acidente ocorrido durante uma excursão de mergulho, cinco cidadãos italianos morreram no Atol Vaavu, nas Maldivas”, afirmou o Ministério das Relações Exteriores da Itália na quinta-feira (14).
Entre as vítimas estão Monica Montefalcone, professora associada de Ecologia da Universidade de Gênova; sua filha Giorgia Sommacal, estudante de Engenharia Biomédica; Muriel Oddenino di Poirino, pesquisadora de Turim; e os instrutores de mergulho Gianluca Benedetti, de Pádua, e Federico Gualtieri, também instrutor de mergulho e recém-formado em Biologia Marinha e Ecologia pela Universidade de Gênova.
As Maldivas, um arquipélago formado por 1.192 ilhas de coral espalhadas por cerca de 800 quilômetros no Oceano Índico, são um destino turístico de luxo muito popular entre mergulhadores por seus complexos remotos e barcos de mergulho com alojamentos a bordo.



