Democratas nos EUA pedem fim do sigilo sobre arsenal nuclear de Israel
Democratas pedem fim do sigilo nuclear de Israel

Uma carta assinada por 29 parlamentares do Partido Democrata dos Estados Unidos solicita que o governo do presidente Donald Trump reconheça publicamente o programa de armas nucleares de Israel. A informação foi divulgada pelo jornal The Washington Post nesta terça-feira, 5 de maio de 2026. Caso a medida seja acatada, representará o abandono de uma postura diplomática mantida por décadas pela política americana.

Conteúdo da carta e contexto

O documento foi encaminhado ao Secretário de Estado, Marco Rúbio. Os congressistas afirmam que o silêncio de Washington sobre o arsenal atômico israelense é indefensável em meio à guerra contra o Irã e à possibilidade de escalada militar. Segundo eles, o Congresso tem a responsabilidade de estar informado sobre o equilíbrio nuclear no Oriente Médio para fins de planejamento de contingências.

“Os riscos de erro de cálculo, escalada e uso de armas nucleares neste ambiente não são teóricos”, escreveram os parlamentares. A preocupação é compartilhada por uma ala do governo Trump, que avalia que as “linhas vermelhas” de Tel Aviv para o uso da bomba atômica podem ser menores do que se pensava anteriormente.

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Reavaliação de cenários

“Existe uma crescente preocupação em relação ao programa nuclear de Israel e o que poderia levá-los a utilizar tais armamentos”, disse um funcionário do governo ao Post. A carta também aborda a credibilidade das ações de Washington, que busca limitar o desenvolvimento nuclear da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos e, principalmente, do Irã, mas ignora o programa israelense.

Os democratas defendem que é necessário mudar a “política oficial de silêncio” para aplicar uma agenda coerente de não-proliferação nuclear.

Histórico da posição americana

A posição histórica dos Estados Unidos em relação ao programa atômico israelense remonta a 1969, quando o presidente Richard Nixon firmou um acordo informal com a primeira-ministra Golda Meir. Ficou estabelecido que Washington aceitaria a ambiguidade nuclear de Tel Aviv e protegeria Israel do escrutínio internacional.

Especialistas apontam que essa postura foi fundamental para que Israel mantivesse suas armas nucleares sob sigilo oficial, embora agências de inteligência tenham conhecimento do arsenal desde os anos 1960. A simples proposição de quebra do silêncio representa uma mudança expressiva na forma como o Partido Democrata enxerga as relações com Israel, impulsionada pela frustração com baixas civis em conflitos no Oriente Médio, especialmente em Gaza e no Líbano.

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