TCE-MG multa presidente da Fhemig por fechamento inadequado de hospital em BH
TCE multa presidente da Fhemig por fechamento de hospital em BH

Tribunal de Contas de Minas Gerais responsabiliza governo por fechamento inadequado de hospital

O Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) emitiu uma decisão histórica nesta terça-feira (14), durante a 7ª Sessão Ordinária da Primeira Câmara, responsabilizando o governo estadual pelo fechamento inadequado do Hospital Maria Amélia Lins (HMAL), localizado em Belo Horizonte. Segundo a corte, o encerramento das atividades da unidade ocorreu sem o planejamento necessário, comprometendo seriamente o atendimento à população.

Multas aplicadas à presidente da Fhemig

Como consequência direta da análise, o TCE-MG aplicou multas significativas à presidente da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), Renata Dias. A gestora foi penalizada com R$ 30 mil devido à insuficiência nos estudos de viabilidade e pelos impactos negativos gerados pelo fechamento do hospital. Além disso, recebeu uma multa adicional de R$ 9 mil por descumprir uma medida cautelar previamente determinada pela Primeira Câmara. A decisão está sujeita a recurso.

Queda drástica no número de cirurgias

Durante a investigação do caso, uma inspeção detalhada do tribunal revelou dados alarmantes. A promessa governamental de transferir a demanda do Hospital Maria Amélia Lins para o Hospital João XXIII não se concretizou. Entre janeiro e maio de 2025, houve uma redução de 8,26% no número total de cirurgias, comparado ao mesmo período do ano anterior.

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Essa queda representa 437 procedimentos cirúrgicos a menos em apenas cinco meses, o que equivale a uma média de aproximadamente 87 cirurgias adiadas mensalmente. O TCE-MG destacou ainda que o Hospital João XXIII passou a operar abaixo da média histórica registrada quando ambas as unidades funcionavam em conjunto, colocando em dúvida os argumentos de continuidade apresentados pela Fhemig.

Posicionamento do relator do processo

O conselheiro Licurgo Mourão, relator do processo, enfatizou a base factual da decisão. "A decisão foi tomada com base em fatos e dados, inclusive com informações fornecidas pela própria Fhemig. O interesse do Tribunal não é criar obstáculos ou tentar substituir o administrador, mas sim preservar o direito e o interesse do cidadão mineiro de ter mais e melhores cirurgias", afirmou Mourão durante a sessão.

Novas determinações e exigências impostas

O foco central da decisão recaiu sobre o edital que previa a cessão do imóvel e a doação de bens do hospital para uma entidade privada, através de um processo de terceirização. O tribunal revogou a medida cautelar que impedia a assinatura do contrato, permitindo assim a continuidade do edital. Contudo, estabeleceu uma série de exigências rigorosas para o governo do estado e a Fhemig:

  • Participação obrigatória do Conselho Estadual de Saúde na formulação e acompanhamento do contrato;
  • Garantia de devolução integral dos bens doados em caso de rescisão contratual;
  • Monitoramento, por um período mínimo de um ano, da execução dos serviços da unidade;
  • Realização de pelo menos 300 cirurgias ortopédicas mensais nos hospitais João XXIII, Júlia Kubitschek e Cristiano Machado.

Consequências por descumprimento das metas

Caso a meta mensal de 300 cirurgias ortopédicas não seja alcançada, o TCE-MG estabeleceu a aplicação de uma multa diária de R$ 1 mil, com limite máximo de R$ 18 mil. Esta penalidade será mantida até que todas as cirurgias remarcadas ou canceladas durante o ano de 2025 sejam devidamente realizadas, assegurando assim a reposição dos serviços de saúde prejudicados pelo fechamento do Hospital Maria Amélia Lins.

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