Uma intensa tempestade atingiu a região da Baixada Santista na tarde desta segunda-feira, 19 de fevereiro, provocando alagamentos generalizados, transtornos no trânsito e a invasão de água em residências. O fenômeno, resultado da combinação de uma frente fria e da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), deixou um rastro de prejuízos e interdições em diversas cidades litorâneas.
Volume de chuva surpreende e supera previsões históricas
Segundo dados da Defesa Civil do Estado, a cidade de Peruíbe foi a mais castigada pelo temporal, acumulando impressionantes 171 milímetros de chuva em apenas 12 horas. Este volume é superior ao que era esperado para um período de 15 dias, de acordo com a média histórica para o mês. Outras cidades também registraram índices elevados: Itanhaém (156 mm), Praia Grande (108 mm), São Vicente (105 mm), Bertioga (102 mm), Mongaguá (82 mm), Santos (80 mm) e Guarujá (72 mm).
Transtornos no trânsito e pontos críticos nas cidades
Os alagamentos tomaram conta de ruas e avenidas, paralisando o trânsito em vários pontos. Em Santos, a travessia de balsas foi interrompida devido à previsão de maré alta de 2,20 metros para a madrugada de terça-feira (20). A Avenida Martins Fontes, no sentido São Paulo, e a Avenida Nossa Senhora de Fátima registraram trechos alagados, com passagem restrita a veículos grandes. A prefeitura sugeriu rotas alternativas pelas pontes Mariangela Duarte e Marcus de Rosis.
Em São Vicente, a Rua Mascarenhas de Moraes ficou intransitável até as 16h45, enquanto outras vias, como a Avenida Augusto Severo e a Capitão Luiz Antônio Pimenta, tinham pontos de alagamento transitáveis. A cidade permanece em estado de atenção.
Guarujá registrou ventos de até 42,6 km/h, alagamentos e quedas de galhos. Já em Cubatão, a combinação de chuva forte e maré alta afetou bairros como Vila Esperança, Ilha Caraguatá e Vila São José, especialmente nas ruas do conjunto de "casas antigas". Equipes municipais monitoram a situação, mas até o momento não há registro de vítimas ou desabrigados na região.
Causas do temporal: ZCAS e frente fria polar
A mudança brusca no tempo já era esperada pelos meteorologistas. O Instituto Climatempo havia indicado a formação da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) entre os dias 19 e 23 de fevereiro, fenômeno conhecido por aumentar significativamente a incidência de chuvas nas regiões Sudeste e Centro-Oeste do Brasil. Além disso, a chegada de uma frente fria vinda do Sul do país, acompanhada de uma massa de ar polar, reforçou a instabilidade atmosférica e contribuiu para a queda das temperaturas na Baixada Santista.
As autoridades municipais e estaduais seguem em alerta, monitorando os níveis de chuva e os possíveis novos pontos de alagamento, enquanto a população enfrenta os transtornos causados por um dos temporais mais intensos do ano na região.