Fazenda em Três Pontas recebe 1º crédito de carbono por cafeeiros no Brasil
1º crédito de carbono em cafeeiros no Brasil

Enquanto o mercado de carbono ainda é uma realidade distante para a maioria dos produtores rurais brasileiros, as Fazendas Caxambu e Araçaçu, localizadas em Três Pontas, no Sul de Minas Gerais, já colhem os frutos de uma decisão tomada há muito tempo: produzir café de forma cada vez mais responsável com o meio ambiente. Sob a liderança de Carmem Lúcia (conhecida como Ucha), as propriedades acumulam um conjunto de iniciativas que vão desde o monitoramento da vida dos insetos no campo até a mudança do esquema de plantio para agrofloresta em linha. Essas ações resultaram em algo inédito no país: o recebimento de créditos de carbono certificados pela inserção de árvores em lavouras cafeeiras.

Uma fazenda que já fazia a diferença

As transformações nas Fazendas Caxambu e Araçaçu não começaram pelo mercado de carbono. Elas surgiram de uma visão de longo prazo sobre como produzir melhor. A troca gradual da frota de máquinas reduziu o tempo de operação e o consumo de combustível, diminuindo diretamente a emissão de gases de efeito estufa. A secagem do café passou a ser feita com caldeira, substituindo métodos mais poluentes. Nas ruas entre os cafeeiros, um mix de plantas foi introduzido para equilibrar o solo e favorecer a biodiversidade. Entre inúmeras outras inovações na lavoura e no pós-colheita, a transformação mais visível ocorre no campo: as fazendas adotaram a agrofloresta em linhas, integrando árvores diretamente à lavoura, e estruturaram corredores ecológicos que conectam fragmentos de vegetação e atraem fauna benéfica para o controle natural de pragas.

“A fazenda já contava com uma presença significativa de árvores, tanto pelos corredores ecológicos naturais quanto pelo plantio de mais de 20 mil mudas nos últimos anos. O que muda agora é a evolução desse modelo: as árvores deixam de estar apenas no entorno e passam a integrar a lavoura, em linhas paralelas ao café, dentro de um sistema agroflorestal”, explica Ucha.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

O projeto que transformou iniciativa em reconhecimento

Foi justamente esse histórico de comprometimento que colocou as Fazendas Caxambu e Araçaçu entre as protagonistas do projeto de Cafeicultura Regenerativa da Cooxupé, cooperativa à qual a fazenda centenária é associada. Estruturado pela Cooxupé com apoio científico da EPAMIG Viçosa e das empresas GrowGrounds e Clima Café, o projeto formalizou o que fazendas como Caxambu e Araçaçu já praticavam: a combinação de árvores, biodiversidade e manejo responsável como forma de sequestrar carbono e reduzir emissões. O resultado foi a venda efetiva dos créditos gerados para a Löfbergs, empresa sueca e compradora do café verde produzido pelas fazendas, numa operação chamada de insetting, em que o próprio elo da cadeia compensa suas emissões investindo diretamente nos produtores que abastece.

Pioneirismo certificado

A operação é reconhecida como o primeiro projeto do Brasil a gerar créditos de carbono certificados pela inserção de árvores em lavouras cafeeiras, um marco que coloca Três Pontas e o Sul de Minas no mapa global da cafeicultura sustentável. Para a próxima fase, o projeto da Cooxupé prevê expansão com a entrada da certificadora Gold Standard, uma das mais respeitadas do mundo, abrindo caminho para que os créditos sejam comercializados também fora da cadeia do café.

Sobre as Fazendas Caxambu e Araçaçu

Localizadas em Três Pontas, no Sul de Minas Gerais, as Fazendas Caxambu e Araçaçu são propriedades de um grupo familiar liderado por Carmem Lúcia Ucha. Cooperadas da Cooxupé e contando com a SMC como a mais importante parceria em seu projeto de exportação de cafés especiais, as fazendas combinam tradição cafeeira com um conjunto crescente de práticas regenerativas voltadas à redução de emissões e ao aumento da biodiversidade. Esse cuidado também se reflete na qualidade dos cafés produzidos, reconhecida internacionalmente, com destaque para a conquista do primeiro lugar na categoria Natural no Cup of Excellence 2025, o maior e mais importante concurso global de cafés de excelência, promovido no Brasil pela BSCA. A condução desse padrão de excelência sensorial está sob a responsabilidade de Dionatan Almeida, campeão mundial de Cup Tasters, que lidera o trabalho de avaliação e refinamento sensorial da produção.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar