Em 28 de janeiro de 1986, o ônibus espacial Challenger, da Nasa, explodiu cerca de um minuto após o lançamento durante a missão STS-51-L. Todos os sete tripulantes morreram. A frase "Nos voos espaciais, a partida é sempre o momento mais perigoso" foi dita em uma reportagem do Jornal Nacional naquele mesmo dia.
A causa do desastre
A falha fatal ocorreu nos anéis de vedação dos foguetes auxiliares, conhecidos como O-rings. Essas peças de borracha vedam as juntas entre os segmentos dos propulsores e impedem o escape de gases superaquecidos durante o lançamento. No dia do acidente, o frio intenso comprometeu o funcionamento dos componentes. As baixas temperaturas fizeram os anéis perderem a flexibilidade, a vedação falhou e gases superaquecidos escaparam. O vazamento atingiu estruturas externas do Challenger e provocou a desintegração da nave 73 segundos após a decolagem.
Alerta ignorado
Investigações posteriores mostraram que o desastre poderia ter sido evitado. Engenheiros da empresa Morton Thiokol alertaram na véspera de que o lançamento não deveria ocorrer sob frio intenso, mas a recomendação foi ignorada após pressão de autoridades da Nasa e da própria empresa.
Tragédia ao vivo
O lançamento era acompanhado por milhões de telespectadores em todo o território dos Estados Unidos. No local da decolagem, familiares dos tripulantes e funcionários da Nasa também assistiam à partida do Challenger. Todos viram ao vivo quando a nave explodiu. A mídia norte-americana relatou que a “bola de fogo laranja” confundiu quem assistia, já que muitos não perceberam imediatamente a gravidade do que havia acontecido.
A transcrição oficial dos momentos finais do ônibus espacial mostra o momento em que a equipe de controle relata uma grande falha e, em seguida, confirma a perda do veículo: “Obviamente, uma grande falha”, disse Stephen A. Nesbitt, do controle da missão. “Estamos sem comunicação.” E então, após uma longa pausa: “Recebemos um relatório do oficial de dinâmica de voo de que o veículo explodiu.”
O que aconteceu com a tripulação
Análises posteriores da Nasa indicaram que a tripulação provavelmente não morreu de forma instantânea após a desintegração do Challenger. Segundo informações publicadas pelo jornal Los Angeles Times à época, evidências técnicas apontaram que alguns astronautas podem ter permanecido conscientes por alguns segundos após o rompimento da nave. A principal indicação foi a ativação manual de pelo menos três sistemas de oxigênio de emergência encontrados nos destroços da cabine. Para investigadores, isso sugeria que parte da tripulação percebeu a gravidade da situação e tentou reagir nos momentos finais.
Uma professora no espaço
A tragédia também foi marcada pela presença da civil Christa McAuliffe, que era professora do ensino médio. Ela integrava a missão porque foi selecionada para o programa "Teacher in Space" (Professora no Espaço), que previa a transmissão de duas aulas do espaço para estudantes de todo o país. Ela morreu com o restante da tripulação.
No dia do acidente, seu marido, Steven McAuliffe, seus pais e seus dois filhos assistiam ao lançamento na base da Flórida. Além da família da professora, alunos da escola em que ela dava aula, no estado de New Hampshire, assistiam ao vivo pela TV. "Para nós, o Challenger sempre será um evento que aconteceu há pouco tempo. Nossos pensamentos e lembranças de Christa estarão sempre vivos e reconfortantes", disse o Sr. McAuliffe em declaração à Associated Press.
Quem eram os astronautas
- Francis R. "Dick" Scobee (comandante): Piloto da Força Aérea dos EUA, veterano da Guerra do Vietnã e astronauta desde 1978. Já havia participado de uma missão anterior do Challenger.
- Michael J. Smith (piloto): Oficial da Marinha dos EUA e piloto experiente. A missão do Challenger seria seu primeiro voo espacial.
- Judith A. Resnik (especialista de missão): Engenheira elétrica com doutorado, foi a segunda mulher americana no espaço e participou de missões com satélites e pesquisas científicas.
- Ronald E. McNair (especialista de missão): Físico com PhD pelo MIT, especialista em lasers. Foi o segundo astronauta negro a ir ao espaço.
- Ellison S. Onizuka (especialista de missão): Engenheiro e oficial da Força Aérea, foi o primeiro astronauta nipo-americano.
- Gregory B. Jarvis (especialista de carga útil): Engenheiro da indústria aeroespacial, participava da missão para realizar experimentos sobre foguetes de combustível líquido.
- Christa McAuliffe: Professora escolhida no programa “Teacher in Space”. Seria a primeira educadora a dar aulas do espaço.



