Projeto Opará Saberes retorna em 2026 com educação antimachista
Opará Saberes volta em 2026 com foco em educação antimachista

Projeto Opará Saberes retorna em 2026 com foco em educação antimachista

O projeto Opará Saberes, criado pela pesquisadora Carla Akotirene, volta em 2026 com uma série de mudanças significativas. Com inscrições gratuitas realizadas no local, a conferência tem como objetivo principal ampliar o acesso de mulheres à pós-graduação e aposta na educação antimachista como ferramenta para combater a violência de gênero e o feminicídio.

A abertura do evento ocorrerá nesta quarta-feira (20), às 18h, no auditório do PAF, na Universidade Federal da Bahia (Ufba), em Ondina. O convidado especial é o pesquisador Deivison Mendes Faustino, conhecido como Deivison Nkosi. Doutor em Sociologia, ele é autor de obras como "Frantz Fanon: um revolucionário, particularmente negro" (2018) e "O colonialismo digital: por uma crítica hacker-fanoniana" (2023).

Parcerias e objetivos

O projeto Opará Saberes foi idealizado por Carla Akotirene, doutora em Estudos Interdisciplinares de Gênero, Mulheres e Feminismo pela Ufba. A iniciativa reúne formação acadêmica, produção de conhecimento e ação social, contando com parcerias da Ufba, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB Bahia) e do Ministério Público da Bahia (MP-BA).

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“Neste ano em que completa dez anos, o projeto retorna com o propósito de promover um amplo debate em torno de uma educação antimachista, ampliando ações também para a educação básica e para adolescentes e jovens sob risco de cooptação por discursos de ódio e pela chamada ‘cultura redpill’, além de atuar na formação de operadores do Direito para qualificar as intervenções com homens autores de violência”, afirma a pesquisadora Carla Akotirene.

Programação e atividades

Além da abertura, o projeto contará com aulas até a próxima terça-feira (26). Os encontros serão realizados na OAB Bahia e no MP-BA. Participam como palestrantes o jurista Anderson Eduardo Carvalho de Oliveira e o filósofo Renato Noguera, pesquisadores especializados em temas como masculinidade e violência, além de afetos afrocentrados.

Segundo Anderson Eduardo, o projeto atua em duas frentes principais. “A educação antimachista que o Opará Saberes propõe envolve tanto a prevenção junto a adolescentes e jovens, especialmente aqueles expostos a discursos de ódio nas redes sociais, quanto a qualificação de operadores do sistema de justiça que atuam com a Lei Maria da Penha, com foco na responsabilização educativa de homens autores de violência”, explica.

Ele destaca a urgência do tema: “Vivemos um momento paradoxal. Temos uma das legislações mais avançadas do mundo, mas os índices de feminicídio seguem crescendo. Isso mostra que não basta punir, é preciso intervir nas estruturas que produzem a violência. A pena, por si só, não transforma masculinidades. Punir e educar não são opostos, mas complementares quando bem integrados. Esse momento de crescimento da violência contra a mulher torna essa integração não apenas oportuna, mas urgente”.

Ampliação do acesso à pós-graduação

O projeto busca valorizar conhecimentos produzidos por pessoas negras. Será realizado em parceria com o PPGNEIM/Ufba e o Instituto de Juristas Negras. A proposta inclui cursos presenciais e expansão para outras unidades da universidade, além de articulação com a OAB, o MP e a Defensoria Pública.

“Ao integrar educação, justiça e produção de conhecimento, o Opará Saberes reafirma seu compromisso com o enfrentamento estrutural do machismo e com a construção de caminhos concretos para a redução da violência de gênero no Brasil”, defende Carla Akotirene.

Serviço

4ª edição do Opará Saberes: Educação Antimachista

Inscrições gratuitas no local.

Programação:

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  • Deivison Nkosi — 20 de maio, 18h, no auditório do PAF Ondina - Ufba (Ondina)
  • Renato Noguera — 23 de maio, 10h, no auditório do Ministério Público da Bahia; e 26 de maio, 18h, no auditório da Ordem dos Advogados da Bahia
  • Anderson Eduardo — 25 de maio, 10h, no auditório do Ministério Público da Bahia; e 26 de maio, 18h, no auditório da Ordem dos Advogados da Bahia (OAB-BA)

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