Motoristas de aplicativo em Fortaleza enfrentam incertezas após 10 anos
Motoristas de app em Fortaleza: incertezas após 10 anos

Dez anos após a chegada dos aplicativos de transporte como Uber e 99 em Fortaleza, os motoristas que deixaram empregos formais para atuar nas plataformas enfrentam uma rotina de incertezas. Entre a busca por lucro, o aumento das despesas e a falta de garantias trabalhistas, muitos trabalham além das oito horas diárias para manter a renda.

Cenário nacional e local

Dados da PNAD Contínua de 2025, do IBGE, indicam que em 2024 o Brasil tinha 1,7 milhão de trabalhadores em plataformas digitais, dos quais 58,3% (964 mil) atuavam em aplicativos de transporte. Em Fortaleza, a Uber iniciou operações em 29 de abril de 2016, seguida pela 99 em 2017. O serviço de motocicletas começou em 2021 pela Uber e em 2022 pela 99.

Relatos de motoristas

Felipe Albuquerque, motorista há 4 anos, deixou o emprego com carteira assinada e hoje ganha duas a três vezes mais, mas sem férias ou benefícios. "Você tem que ter uma gestão financeira muito boa, senão você passa muito tempo apanhando", diz. Katiuse Sabino, pedagoga que trocou a sala de aula pelo volante há 9 anos, afirma que é possível viver do aplicativo com organização financeira, mas ressalta a necessidade de planejamento.

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Redução nos lucros

Os motoristas relatam queda nos ganhos. Evans Souza, presidente da Associação de Motoristas por Aplicativo do Ceará (AMAP-CE), aponta que a média salarial caiu 50% desde 2016, passando de R$ 12 mil para cerca de R$ 6 mil. Pesquisa da fintech GigU em 2025 mostra faturamento médio de R$ 6.428,57, com 55 horas semanais, mas 54% desse valor é consumido por gasolina e manutenção, resultando em lucro de aproximadamente R$ 2,9 mil.

Segurança em risco

A violência urbana é uma preocupação constante. Entre 2019 e 2025, 52 motoristas foram mortos no Ceará. Katiuse Sabino sofreu importunação sexual em 2024 e passou a aceitar apenas passageiras mulheres. Os aplicativos implementaram melhorias, como gravação de corridas e opção de motoristas mulheres atenderem apenas mulheres.

Limbo jurídico

Os motoristas não têm vínculo empregatício com as plataformas, o que os exclui de direitos como FGTS, 13º salário e seguro-desemprego. Mais de 71% não possuem MEI ou CNPJ, conforme o IBGE. O advogado Rafael Sales, pesquisador da área, descreve a situação como "limbo jurídico": não são empregados nem autônomos. A regulamentação do setor está parada no Congresso, STJ e STF.

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