Gigantes do K-pop desembarcam no Rio para fechar negócios
K-pop no Rio: empresas coreanas buscam parcerias

O avanço da cultura coreana no Brasil deixou de ser apenas um fenômeno de fãs para se tornar um eixo concreto de negócios. O Rio de Janeiro vai sediar um dos movimentos mais ambiciosos dessa virada. Nos dias 26 e 27 de maio, no Hotel Windsor Marapendi, na Barra da Tijuca, a cidade recebe a K-Content Biz Week Brazil 2026. A iniciativa traz ao país algumas das maiores empresas de entretenimento da Coreia do Sul e coloca frente a frente executivos, produtores e criadores em busca de parcerias.

Organização e objetivos do evento

Organizado pela Korea Creative Content Agency (KOCCA), braço do governo coreano para o desenvolvimento da indústria criativa, o evento não é apenas uma vitrine de conteúdo. Ele funciona como uma engrenagem de negócios: rodadas de business matching, assinaturas de acordos e encontros estratégicos que podem destravar coproduções, licenciamento e expansão internacional para empresas brasileiras. Segundo Woong Jin Park, diretor da Kocca no Brasil, o objetivo central é transformar o interesse crescente do público brasileiro por conteúdos coreanos em negócios concretos entre empresas. Isso inclui licenciamento de propriedade intelectual e personagens, compra e venda de direitos de distribuição de dramas, séries, documentários e animações, além de coprodução audiovisual. O encontro pode gerar desde uma conversa inicial até um contrato de distribuição ou um acordo de licensing com cronograma de execução.

Empresas participantes

A presença da KOCCA no Brasil sinaliza um movimento claro. A Coreia do Sul, que já consolidou sua influência global com o K-pop, os K-dramas e a animação, agora mira a América Latina como território de crescimento e vê o Brasil como porta de entrada. Esse interesse se traduz no peso das empresas confirmadas. A HYBE, responsável por transformar o K-pop em um modelo global integrado entre música, tecnologia e propriedade intelectual, chega com projetos como BTS: Yet To Come e experiências imersivas baseadas em realidade aumentada e virtual. Mais do que artistas, a empresa vende um ecossistema.

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Na mesma linha de escala está a CJ ENM, referência na criação de narrativas que atravessam fronteiras. É dela o fenômeno True Beauty, que permaneceu por semanas entre os conteúdos mais assistidos em plataformas de streaming, evidenciando a força dos dramas coreanos no mercado global. Outros nomes reforçam a diversidade de oportunidades. A KBS Media leva ao evento um catálogo já licenciado para dezenas de países, enquanto a MBC America exemplifica o potencial de adaptação de formatos (caso de The Masked Singer, sucesso replicado em diversos mercados). Já a SBS Studio S representa a tradição da televisão coreana, com forte presença em dramas e programas musicais.

Inovação e novos públicos

Mas o evento não se limita aos gigantes. Empresas como a Parastar Entertainment, que trabalha com artistas com deficiência, e a Grafizix, focada em educação aliada ao entretenimento, mostram como a indústria coreana também aposta em inovação de linguagem e novos públicos. No campo da animação, nomes como Pingo Entertainment, ICONIX e KizCastle reforçam um setor que movimenta bilhões e ainda tem espaço para expansão no Brasil.

Impacto e perspectivas

O pano de fundo desse encontro é um mercado em transformação. O consumo de conteúdo coreano no país cresce de forma consistente, impulsionado por plataformas digitais e por uma base de fãs altamente engajada. O que a K-Content Biz Week propõe é dar um passo além: transformar interesse em parceria, audiência em negócio. Para produtoras brasileiras, emissoras, plataformas e criadores independentes, o evento abre acesso direto a quem define tendências globais. Para os coreanos, é a chance de adaptar formatos, testar narrativas e ampliar presença em um mercado estratégico. Mais do que um intercâmbio cultural, trata-se de uma negociação de futuro.

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