GO7 assessoria indicada por PL e Republicanos recebe R$ 250 mil em campanhas
GO7 assessoria recebe R$ 250 mil em campanhas de SP

Os diretórios do Partido Liberal (PL) e do Republicanos indicaram a GO7 assessoria, que tem como sócia a produtora do filme "Dark Horse", para atuar em campanhas eleitorais em São Paulo, conforme relatos de candidatos. A GO7 recebeu R$ 250 mil para serviços de comunicação em cinco candidaturas desde 2020, incluindo a do deputado federal Mario Frias (PL-SP), único eleito entre eles.

A empresa pertence a Karina Ferreira da Gama, também sócia-administradora da Go Up Entertainment, produtora do longa "Dark Horse", sobre Jair Bolsonaro (PL). A divulgação de diálogos em que o senador Flávio Bolsonaro (PL) pedia dinheiro ao então dono do Banco Master para o filme gerou crise na pré-campanha do parlamentar.

Indicações partidárias

Bianca Fanti, que concorreu a vereadora em Guarulhos (SP) em 2024 pelo PL, afirmou que a GO7 foi indicada pelo diretório do PL para sua campanha. Já Patrícia Alonso, candidata a vereadora na capital paulista pelo Republicanos em 2020, disse que o partido conduziu a campanha com a empresa e que ela teve pouco controle sobre os gastos.

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Procurada por e-mail, mensagem e assessoria de imprensa, Karina não respondeu aos questionamentos. O PL também não se manifestou após contato via assessoria. O Republicanos de São Paulo afirmou não ter informações sobre o assunto.

Valores recebidos

A campanha de Bianca Fanti, conhecida como Bibi Fanti, pagou R$ 30 mil à GO7. Patrícia Alonso repassou R$ 13 mil para serviços de assessoria de comunicação. O maior valor, R$ 141 mil, foi destinado pela campanha do tenente Manoel Nascimento, ex-deputado estadual de São Paulo, que concorreu a vereador na capital em 2024 pelo Republicanos.

Em 2022, Karina trabalhou para dois candidatos do PL em São Paulo: Felipe Carmona, que pagou R$ 13 mil na disputa a deputado estadual, e Mario Frias, cuja campanha repassou R$ 54 mil. Os pagamentos constam no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Declarações dos envolvidos

Patrícia Alonso afirmou que teve pouca gerência sobre os gastos com a GO7, mas elogiou o trabalho da empresa. O escritório de advocacia Taveira e Romão, que representa Bibi Fanti, informou que não havia vínculo prévio ou pessoal entre a GO7 e a candidata, e que a contratação seguiu a legislação eleitoral.

Felipe Carmona disse conhecer Karina desde 2019 e negou orientação do PL para contratá-la. Ele afirmou que, se for candidato a deputado estadual neste ano, contratará a produtora novamente. Procurados, a assessoria de Mario Frias e o ex-deputado Tenente Nascimento não responderam.

Emendas parlamentares e contratos

Conforme revelou a Folha de S.Paulo, apesar de Flávio Bolsonaro afirmar que não há dinheiro público envolvido, parlamentares federais e estaduais destinaram recursos para empresas e entidades ligadas a Karina. Deputados estaduais de São Paulo repassaram R$ 700 mil em emendas entre 2023 e 2026. O Instituto Conhecer Brasil (ICB), ONG presidida por Karina, recebeu R$ 2 milhões em emendas de Mario Frias em 2025 para projetos de letramento digital e esporte.

Parceria com o GDF

O ICB firmou contrato com o Governo do Distrito Federal, após vencer chamamento público da Fundação de Apoio à Pesquisa em 2023. O valor inicial era de R$ 4 milhões para um projeto de "cultura maker" na rede pública do DF, que visa permitir que alunos criem, consertem e modifiquem objetos em laboratórios escolares. No início de 2025, houve um aditivo de R$ 1 milhão, totalizando R$ 5 milhões.

O projeto, em andamento há dois anos, gerou queixas de professores do DF, segundo relatório técnico do governo. Os docentes reclamam da gestão do ICB, da falta de acompanhamento na execução e da ausência de retorno técnico para problemas detectados. Parte das impressoras 3D compradas nunca foi utilizada devido a mau funcionamento, sem suporte do ICB. Também houve falta de treinamento para uso dos equipamentos.

Procurado, o governo do DF não respondeu. O ICB também firmou contrato com a prefeitura de São Paulo para receber R$ 108 milhões para fornecer internet wi-fi em comunidades de baixa renda. Karina afirmou que a contratação foi regular e sem ligação com o filme "Dark Horse".

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