Correios têm prejuízo prévio de R$ 3,4 bilhões no 1º trimestre de 2026, aponta balancete
Correios: prejuízo prévio de R$ 3,4 bilhões no 1º trimestre de 2026

Dados do balancete contábil da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Correios), obtidos com exclusividade, revelam um prejuízo prévio de R$ 3,4 bilhões já no primeiro trimestre de 2026. O balancete é um demonstrativo provisório que reflete receitas, despesas, bens e dívidas da empresa até determinada data, geralmente ao fim de um mês ou trimestre.

Até a última atualização desta reportagem, não havia previsão de divulgação oficial das informações contábeis pela estatal. A reportagem entrou em contato com os Correios, mas não obteve retorno. Enquanto as receitas registradas até 31 de março de 2026 se mantiveram estáveis, os gastos apresentaram aumento significativo.

Comparativo de receitas e despesas

As receitas somaram R$ 4,1 bilhões em 2025 e R$ 4 bilhões em 2026, uma leve redução. Já as despesas aumentaram de R$ 6,4 bilhões para R$ 7,4 bilhões no mesmo período. Esse aumento já era previsto pelo departamento financeiro da estatal, que estimava gastos totais de R$ 7,6 bilhões no primeiro trimestre de 2026. Na prática, houve uma redução de R$ 200 milhões (3%) nos gastos reais em comparação à estimativa.

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Na semana passada, os Correios divulgaram o resultado de 2025, com prejuízo total de R$ 8,5 bilhões, fechando 14 trimestres consecutivos no vermelho. O valor acumulado em 2025 superou em mais de três vezes o prejuízo de R$ 2,6 bilhões registrado em 2024.

Perfil das despesas

Entre as despesas, os gastos com funcionários – um dos maiores problemas financeiros dos Correios – conseguiram ser controlados no primeiro trimestre. Os dados mostram certa estabilidade, com aumento de R$ 80 milhões, passando de R$ 2,5 bilhões para R$ 2,6 bilhões. O grupo de despesas que justificou o aumento dos gastos foi o financeiro e as provisões, que incluem possíveis perdas judiciais que posteriormente se transformam em precatórios – ordens de pagamento determinadas pela Justiça.

As despesas financeiras saltaram 312%, de R$ 224 milhões para R$ 925 milhões em 2026. Nesse grupo entram gastos com juros e multas em boletos, contratos e empréstimos, como os R$ 12 bilhões tomados pela estatal no final de 2025, cujo custo total com juros está previsto em R$ 22,4 bilhões. Já as despesas com provisões e perdas superaram a previsão inicial de R$ 1,2 bilhão, alcançando R$ 1,4 bilhão executado, um aumento de 66,7% em relação ao total de 2025, que foi de R$ 834 milhões.

Receitas

As receitas com prestação de serviços e vendas de produtos se mantiveram estáveis, com pequena redução de R$ 84 milhões entre o primeiro trimestre de 2025 e 2026. No entanto, houve queda brusca nas receitas com encomendas internacionais. Enquanto até 31 de março de 2025 os Correios registraram R$ 393 milhões nesse segmento, nos primeiros três meses de 2026 a receita foi de apenas R$ 156 milhões – uma redução de R$ 237 milhões (60,3%).

Essa queda repete o comportamento observado desde o lançamento do programa Remessa Conforme, em 2023, que passou a cobrar imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, antes isentas – a chamada “taxa das blusinhas”. Em 2024, a receita com encomendas internacionais foi de R$ 3,9 bilhões, uma redução de R$ 530 milhões em relação a 2023. Em 2025, o valor despencou para R$ 1,3 bilhão, R$ 2,6 bilhões a menos que no ano anterior. Com isso, a participação desse tipo de produto na receita total caiu de 22% em 2023 para apenas 7,8% atualmente.

Os Correios também registraram redução nas receitas com encomendas gerais, de 5,4% (R$ 128 milhões). Por outro lado, houve aumento expressivo em outros serviços. O principal deles, o de logística, saltou de R$ 103 milhões para R$ 258 milhões em 2026, alta de 150%. Os serviços de conveniência cresceram 56%, passando de R$ 32,6 milhões para R$ 50,9 milhões. A estatal ainda registrou aumentos nas receitas com malotes (19,2%) e mensagens – cartas de comunicação – que subiram 11,4%, de R$ 1,1 bilhão para R$ 1,2 bilhão.

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