Brasil envelhece: idosos superam jovens em dois estados; veja dados
Brasil envelhece: idosos superam jovens em dois estados

O Brasil está envelhecendo rapidamente. De acordo com o Censo Demográfico de 2022, dois estados já registram mais idosos do que jovens: Rio Grande do Sul, com 115 pessoas com 60 anos ou mais para cada 100 crianças de 0 a 14 anos, e Rio de Janeiro, com 106 idosos para cada 100 jovens. Além disso, algumas das principais capitais do Sul e Sudeste também apresentam essa inversão. Porto Alegre é a capital mais envelhecida do país, com 137 idosos para cada 100 jovens, enquanto São Paulo, a maior cidade brasileira, tem 103 idosos para cada 100 jovens.

Projeções para o futuro

Segundo projeções do IBGE, em 2029 o Brasil contará com 40,1 milhões de idosos, superando os 39,2 milhões de jovens com menos de 15 anos. O demógrafo José Eustáquio Diniz Alves, doutor em Demografia e autor do livro "Demografia e Economia nos 200 anos da Independência do Brasil e cenários para o século XXI", afirma que o século XXI será o século do envelhecimento populacional. Ele alerta que o Brasil envelheceu antes de enriquecer, mas ainda há tempo para corrigir o rumo com políticas amplas.

Desafios e oportunidades

O primeiro bônus demográfico, período em que a população em idade ativa (15 a 59 anos) é proporcionalmente maior que a dependente, está se fechando no Brasil. No entanto, o demógrafo destaca dois outros bônus: o da produtividade, gerado pelo aumento da eficiência dos trabalhadores mais velhos, e o da longevidade, associado a vidas mais saudáveis e ativas. Ele cita o exemplo da Polônia, que desde 1995 viu sua população diminuir, mas a renda per capita crescer significativamente, graças a investimentos em infraestrutura, educação, automação e reformas previdenciárias.

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Políticas integradas são essenciais

Para Alves, política de envelhecimento não se restringe aos idosos. "Ela começa no pré-natal, passa pela educação infantil, vacinação, cuidados com os jovens, inclusão no mercado de trabalho, previdência, saúde e moradia", explica. "Se o Brasil deixa os jovens fora da escola e do mercado de trabalho, quando envelhecerem serão idosos carentes." Portanto, garantir o desenvolvimento de crianças, adolescentes e jovens, bem como a inclusão produtiva dos idosos, depende de ações coordenadas de governos, empresas e indivíduos.

As mudanças demográficas trazem desafios, mas também oportunidades. Aproveitar os bônus da produtividade e da longevidade pode impulsionar o crescimento econômico e o bem-estar social, desde que haja investimento em políticas públicas integradas e de longo prazo.

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