O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, declarou neste sábado, 23, que o papel institucional da Corte não foi abalado pelas investigações que envolvem ministros e o Banco Master. Em evento no Guarujá, São Paulo, Barroso pediu cautela e separação entre condutas individuais e a função do tribunal.
Barroso defende a separação entre conduta individual e institucional
Sem citar nomes, Barroso afirmou que é necessário distinguir o juízo sobre os ministros do papel institucional do STF. “É preciso fazer essa separação. Acho que o papel institucional do Supremo não foi minimamente abalado”, disse. Ele exemplificou com o caso do Banco Master, afirmando que, em seu conhecimento, o STF nunca tomou decisão favorável à instituição de Daniel Vorcaro. “Não que eu saiba. Por isso falo que é preciso separar as percepções individuais de comportamentos institucionais. Não aconteceu nada de errado em decisões do Supremo nessa matéria ou em qualquer outra”, completou.
Crise de imagem e necessidade de investigação completa
Questionado sobre as razões para a crise de imagem do STF, Barroso atribuiu a percepção negativa a um conjunto de fatos, mas ressaltou a importância de não prejulgar e aguardar o fim das investigações. “Há um conjunto de fatos que levaram a essa percepção negativa, mas é necessário não prejulgar e esperar que as investigações terminem”, afirmou.
Barroso apoia código de ética, mas vê divergências
O ex-presidente do STF também se manifestou sobre a criação de um código de conduta para a Corte. Barroso considerou a existência de um código de ética importante em qualquer atividade, mas reconheceu divergências internas. “Há uns que querem fazer um código específico e os que acham que a legislação atual já contempla tudo de maneira suficiente. Não gostaria de ter um papel divisivo nessa matéria. Prefiro falar para dentro do que para fora”, declarou. Ele concluiu: “A ideia de um código de ética é boa e importante. A questão é saber como materializá-la.”



