Enterro de vítimas do Césio-137 em Goiânia foi marcado por protestos violentos e medo de contaminação
Protestos violentos marcaram enterro de vítimas do Césio-137 em Goiânia

Enterro de vítimas do Césio-137 foi marcado por cenas de violência e pânico coletivo em Goiânia

O sepultamento das vítimas do acidente com o Césio-137, ocorrido em Goiânia em 1987, foi marcado por cenas dramáticas de protestos violentos, medo generalizado e profunda desinformação sobre os riscos da radiação. Moradores, temendo contaminação, chegaram a arremessar pedras contra ambulâncias que transportavam os corpos e tentaram impedir fisicamente a entrada dos caixões no cemitério.

Cenas de tensão e violência no cemitério

Imagens históricas do acervo da TV Anhanguera, acessadas pelo g1, revelam momentos de extrema tensão durante os enterros. A ambulância que transportava os corpos das vítimas foi alvo de ataques constantes até conseguir acessar a área dos túmulos. "Todos falavam: 'tira daqui, isso é lixo radioativo'", relatou a jornalista Mirian Tomé, que acompanhou de perto o caso.

O enterro de vítimas como Leide das Neves, de apenas 6 anos, e Maria Gabriela, tornou-se um dos episódios mais marcantes da tragédia. Moradores se aglomeraram em protesto, gritando contra a realização dos sepultamentos na área, enquanto policiais militares tentavam conter a multidão em clima de confronto.

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Medo e desinformação alimentaram o pânico

O acidente radiológico aconteceu em setembro de 1987, quando uma cápsula contendo material radioativo foi retirada de uma clínica abandonada e aberta em um ferro-velho no Setor Aeroporto de Goiânia. Sem conhecimento dos riscos, moradores tiveram contato direto com o pó brilhante de césio-137, desencadeando a maior tragédia radiológica já registrada no Brasil.

A completa falta de informação sobre os efeitos da radiação contribuiu para o pânico coletivo que se espalhou pela cidade. "Não estávamos preparados. Não tinha proteção nenhuma", confessou o tenente-coronel da PM Luiz Gonzaga Barros Carneiro, que participou das ações de resposta ao acidente.

Legado de uma tragédia histórica

Considerado o maior acidente radiológico fora de usinas nucleares em todo o mundo, o caso do Césio-137 deixou um saldo trágico:

  • Quatro mortes diretamente relacionadas ao acidente
  • Milhares de pessoas afetadas pela radiação
  • Mais de 6 mil toneladas de lixo radioativo gerado
  • Impactos ambientais que persistirão por mais 200 anos

Décadas após a tragédia, as imagens dos enterros sob protesto continuam a simbolizar o impacto devastador do medo e da desinformação em situações de emergência radiológica. O episódio revelou a fragilidade dos sistemas de preparação e resposta a acidentes com materiais perigosos no Brasil, deixando lições que permanecem relevantes até hoje.

As reações violentas durante os sepultamentos refletiam não apenas o temor da contaminação, mas também a ausência de orientações claras das autoridades sobre os reais riscos representados pelos corpos das vítimas. Esta combinação de fatores transformou um momento já doloroso de despedida em uma cena adicional de trauma coletivo para a população de Goiânia.

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