Castanheiro desaparece há 15 dias na Floresta do Paru; buscas enfrentam imensidão e dificuldades
Neste domingo (19), completam-se quinze dias do desaparecimento do castanheiro Jhemenson Rodrigues Gonçalves, de 33 anos, que entrou na Floresta Estadual do Paru, localizada na divisa entre os estados do Amapá e do Pará. Uma força-tarefa foi criada para coordenar as buscas, mas o morador de Laranjal do Jari ainda não foi localizado, levantando preocupações sobre sua segurança.
Desafios logísticos e operacionais
As equipes de resgate enfrentam uma série de obstáculos significativos durante as operações. O principal desafio é a imensidão da floresta, que dificulta tanto o trabalho quanto o deslocamento dos profissionais. Inicialmente, as buscas foram concentradas próximo ao ponto onde Jhemenson teria desaparecido, mas, sem resultados, o raio de ação foi ampliado para aproximadamente quatro quilômetros a partir do acampamento-base.
Na quarta-feira (15), as operações foram redirecionadas para outra área da floresta, após surgirem suspeitas de que o castanheiro possa ter atravessado um rio próximo. Moradores locais relataram que Jhemenson entrou sozinho na mata no dia 4 e não retornou, iniciando assim as buscas intensivas.
Condições adversas e estratégias de busca
A região apresenta acesso extremamente difícil e vegetação densa, com capins cortantes e mata fechada, o que complica ainda mais as operações. De acordo com os moradores, a forma mais viável de chegar à área é através dos "batelões", barcos tradicionalmente utilizados para o transporte de castanha. O abafamento característico da floresta aumenta o cansaço das equipes e dificulta a respiração, exigindo esforço físico adicional.
José Jussian da Silva, um dos coordenadores das buscas, detalhou a estratégia empregada: "Percorremos cerca de 45 quilômetros fazendo barulho e observando o mato, mas não encontramos vestígios. Esse é um lado do planejamento que fizemos. Agora, vamos seguir na direção de onde paramos para fechar a região do Leste ao Sul. Estamos seguindo um planejamento em formato de quadrado, com lados de 10 quilômetros. A caminhada na vegetação é muito difícil, e por isso os 10 quilômetros acabam virando até 13".
Comunicação e recursos limitados
Para manter a comunicação entre os grupos, os profissionais utilizam disparos de pistola e gritos específicos. Na terça-feira (14), moradores relataram ter ouvido tiros e acreditaram que poderia ser o trabalhador tentando sinalizar sua localização, mas ele não foi encontrado. Em vídeos divulgados, as equipes de resgate destacaram a falta de água potável, um recurso essencial nas condições adversas da floresta.
Um acampamento-base foi estabelecido para fornecer apoio logístico às operações, incluindo alimentação e descanso para os envolvidos. A ação conta com a participação de bombeiros do Pará, do Grupo Tático Aéreo (GTA), que realiza monitoramento aéreo, de moradores da região e do Exército Brasileiro, formando uma colaboração multissetorial.
Contexto econômico e histórico
A coleta de castanha representa uma das principais atividades econômicas em Laranjal do Jari e nas áreas próximas do Pará. Os trabalhadores, conhecidos como castanheiros, adentram a mata para recolher os ouriços que caem das árvores, uma prática que, embora vital para a subsistência local, envolve riscos significativos.
Embora outros casos de castanheiros perdidos já tenham sido registrados na região, nenhum durou tanto tempo quanto o atual, aumentando a apreensão da comunidade e das autoridades. A família de Jhemenson também tem mobilizado apoio através das redes sociais, ampliando a visibilidade do caso e buscando recursos adicionais para as buscas.
As operações continuam em andamento, com as equipes mantendo a esperança de localizar o castanheiro em meio às vastas e desafiadoras paisagens da Floresta do Paru.



