Voos para Oriente Médio começam a ser retomados em Guarulhos após cancelamentos
Os voos com destino ao Oriente Médio que partem do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, começaram a ser parcialmente retomados neste sábado (7). A concessionária que administra o aeroporto confirmou que um avião da companhia Emirates decolou na madrugada de sexta-feira com destino a Dubai, marcando o início da normalização gradual das operações.
Qatar Airways mantém suspensão enquanto Emirates retoma operações
Enquanto a Emirates já retomou alguns voos, a Qatar Airways informou que as operações regulares para Doha continuam suspensas. A companhia aérea afirmou que só retomará os voos quando a autoridade de aviação civil do país anunciar a reabertura completa e segura do espaço aéreo, demonstrando cautela diante da instabilidade regional.
Desde o início dos conflitos no Irã na semana passada, 57 voos foram cancelados no aeroporto de Guarulhos, afetando centenas de passageiros. A orientação oficial é que os viajantes entrem em contato diretamente com as companhias aéreas ou com suas agências de viagem para solicitar reembolso ou remarcar as passagens afetadas pelos cancelamentos.
Família brasileira vive dias de medo e incerteza em Dubai
Enquanto as operações aéreas começam a se normalizar no Brasil, uma família brasileira enfrenta dias de angústia em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. O agravamento dos conflitos entre Estados Unidos, Israel e Irã, que começaram em 28 de fevereiro, afetou profundamente o tráfego aéreo em toda a região e colocou milhares de pessoas em situação de risco.
Alertas de mísseis transformam rotina em pesadelo
A brasileira, que está em Dubai com o marido e as filhas, relatou ao g1 que a família passou a se esconder em áreas subterrâneas do prédio onde está hospedada sempre que alertas de possíveis ataques são disparados. "Na noite do dia 28 de fevereiro, quando estávamos comemorando nosso aniversário de casamento, recebemos um alerta no celular orientando que todos deveriam descer imediatamente para o subsolo do prédio para se proteger", contou.
A família estava hospedada em um apartamento alugado por temporada próximo ao Burj Khalifa, no 54º andar de um prédio residencial. "Descemos imediatamente com as crianças para o lobby. Elas estavam muito assustadas. Nosso apartamento ficava em um andar bem alto, praticamente de frente para o Burj Khalifa", descreveu.
Sistema de alertas causa pânico entre brasileiros
Os alertas são emitidos diretamente nos celulares com um barulho muito alto, causando susto mesmo entre quem está acostumado com a rotina local. "O alerta é emitido pelo celular com um barulho muito alto. Estávamos com três aparelhos e smartwatches, e todos dispararam ao mesmo tempo. É algo muito assustador, até porque não estamos habituados com um cenário de guerra", explicou a brasileira.
A mensagem recebida orientava a procurar abrigo imediatamente por ameaça de ataque com míssil. "Ficamos cerca de duas horas no lobby. Depois decidimos ir para o estacionamento, que também fica em uma área subterrânea, e só voltamos para o apartamento quando chegou uma nova mensagem dizendo que a situação estava aparentemente normal. Isso demorou bastante", relatou.
A rotina da família foi completamente transformada: "A gente dorme ouvindo aviões de caça e passa o dia escutando explosões". Desde o início do conflito, eles afirmam ter recebido entre cinco e seis alertas de risco, cada um gerando momentos de tensão e medo.
Cancelamento de voos prolonga estadia forçada
O voo de retorno da família ao Brasil estava originalmente marcado para o dia 8 de março, por uma companhia aérea italiana. No entanto, no dia 5 de março, eles receberam a informação de que a viagem havia sido cancelada e remarcada apenas para o dia 13.
Diante da incerteza e dos novos alertas de risco nos últimos dias, a família decidiu comprar novas passagens por conta própria para tentar antecipar o retorno. "Sabemos que há cerca de 15 mil brasileiros aqui e que nem todos querem ir embora, mas é uma situação delicada", comentou.
Governo brasileiro divulga orientações gerais
A brasileira afirmou que, até o momento, o governo brasileiro tem divulgado apenas orientações gerais para quem está na região. "No caso do Brasil, vimos o perfil do consulado no Instagram publicando orientações, telefones de emergência e sugerindo rotas de saída por países como Arábia Saudita ou Omã, além de alertar sobre os riscos", explicou.
Especialista orienta sobre direitos e segurança dos passageiros
De acordo com a advogada especialista em Direito do Passageiro Aéreo, Luiza Costa Russo, em situações como essa é fundamental que os viajantes priorizem a segurança e sigam as orientações das autoridades locais. "A orientação é seguir rigorosamente todas as medidas determinadas pelas autoridades locais e permanecer em locais protegidos, como abrigos ou áreas seguras indicadas pelos hotéis", afirmou.
Força maior limita responsabilidade das companhias aéreas
A especialista explicou que o fechamento do espaço aéreo por causa de guerra ou conflito armado é considerado um caso de força maior, o que limita a responsabilidade das companhias aéreas. "Nesse cenário, as companhias aéreas não têm como prever o evento nem controlar suas consequências. Por isso, elas ficam isentas de responsabilidade por eventuais prejuízos decorrentes da interrupção dos voos", esclareceu.
Segundo ela, a retirada de passageiros de áreas de conflito pode depender de operações especiais. "Quando o espaço aéreo está fechado para a aviação civil, uma eventual retirada pode ocorrer apenas com apoio de forças armadas ou operações governamentais, que possuem autorizações específicas para circular em áreas restritas", detalhou.
Reorganização de passageiros enfrenta desafios logísticos
Mesmo após a reabertura dos aeroportos, o grande volume de voos cancelados pode dificultar a reorganização dos passageiros. "Se cerca de dez voos forem cancelados, estamos falando de aproximadamente dois mil passageiros precisando de novos assentos. Isso cria uma demanda muito alta e dificulta uma solução imediata", analisou a advogada.
Ela destacou que companhias com grande presença local, como a Emirates, tendem a ter mais estrutura para reorganizar os passageiros. No entanto, despesas extras, como hospedagem durante o período de interrupção dos voos, podem não ser responsabilidade das companhias aéreas quando o cancelamento ocorre por motivo de força maior.
A família brasileira em Dubai não tem fotos do lobby e do estacionamento onde se abrigaram durante os alertas porque tem receio de multas, demonstrando como a situação de emergência impõe restrições mesmo nos momentos mais críticos.



