Reforma impediu tragédia maior em queda de avião que destruiu restaurante no Litoral Norte do RS
Uma decisão de última hora para realizar pequenas reformas evitou uma tragédia ainda maior em Capão da Canoa, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul. O restaurante atingido pela queda de um avião de pequeno porte na Sexta-feira Santa estava programado para reabrir ao público no feriado de Páscoa, mas detalhes das obras adiaram a retomada das atividades.
Decisão que salvou vidas
De acordo com o proprietário Douglas Roos, a escolha de não abrir o estabelecimento foi tomada apenas dois dias antes do acidente aéreo que destruiu completamente o local. "Há dois dias decidimos que não abriríamos na Sexta-feira Santa para o almoço, porque eu queria fazer umas pequenas reformas", relata o empresário.
Roos detalha que, se o cronograma original tivesse sido seguido, mais de dez pessoas poderiam estar dentro do restaurante no momento do impacto. "Era para estar toda a equipe trabalhando. Minha família e mais seis ou sete colaboradores", complementa o proprietário, visivelmente abalado pela dimensão do que foi evitado.
O estabelecimento e a destruição
O restaurante, em operação desde 2014, servia buffet com cortes de churrasco durante o dia e oferecia rodízio de pizzas, sushi e porções no período noturno. A reabertura estava inicialmente prevista para 1º de abril, mas as reformas estenderam o prazo até 10 de abril.
O local foi completamente destruído pela explosão e consumido pelas chamas após o impacto da aeronave. Engenheiros avaliaram as casas vizinhas e, segundo o Corpo de Bombeiros, a estrutura não foi abalada. No entanto, os moradores foram aconselhados a deixar temporariamente seus imóveis devido ao forte cheiro de querosene de aviação e à fumaça persistente.
As vítimas do acidente aéreo
As quatro pessoas que estavam a bordo da aeronave não resistiram ao impacto. Foram identificadas:
- Déborah Belanda Ortolani e Luis Antonio Ortolani, casal de empresários do setor de eventos
- Renan Saes, sócio da empresa de aviação proprietária da aeronave
- Nelio Pessanha, piloto da aeronave
O casal Ortolani era natural de Ibitinga (SP), conhecida como Capital Nacional do Bordado, e havia se mudado para Xangri-lá (RS), desenvolvendo negócios em Capão da Canoa. Juntos organizavam uma feira itinerante inspirada na tradicional Feira do Bordado de Ibitinga, uma das maiores feiras de enxovais da América Latina.
Detalhes do voo fatal
O avião modelo Piper Jetprop DLX havia decolado de Itápolis, no noroeste paulista, com destino ao Rio Grande do Sul. A aeronave fez escala em Forquilhinha, Santa Catarina, para abastecimento antes do trecho final.
Conforme Allan Peluzzi, proprietário da Peluzzi Aviation (empresa de venda e aluguel de aviões), o voo seria uma demonstração da aeronave aos futuros compradores - justamente o casal Ortolani. Esta seria a primeira experiência do casal em um avião deste tipo específico.
Renan Saes, um dos ocupantes, publicou um vídeo nas redes sociais aproximadamente às 9h do dia do acidente, mostrando imagens da janela da aeronave. Peluzzi confirma que a gravação foi feita pouco antes do pouso em Forquilhinha.
Investigações em andamento
As causas do acidente ainda são desconhecidas. A Força Aérea Brasileira (FAB), por meio do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), é a responsável pela apuração técnica do ocorrido.
Paralelamente, a Polícia Civil do Rio Grande do Sul instaurou inquérito para investigar criminalmente a queda do avião, com objetivo de verificar eventual ocorrência de ilícitos penais, esclarecer circunstâncias e identificar possíveis responsabilidades.
Cenário de destruição
Nos dias seguintes ao acidente, a Avenida Valdomiro Cândido dos Reis apresenta um cenário de completa destruição. O avião se chocou contra um poste em frente ao estabelecimento, derrubando a fiação elétrica e deixando parte do bairro sem energia.
O proprietário do restaurante, apesar da perda material total, expressa alívio pela segurança de sua família e funcionários: "Livramento, agradecimento a Deus, porque a minha família e os meus colaboradores não estavam ali dentro no momento. Agora, é trabalhar para reconstruir".
Os corpos das vítimas foram liberados pelo Instituto-Geral de Perícias (IGP) do Rio Grande do Sul, com velórios realizados entre a noite de sábado (4) e a manhã de domingo (5) em Capão da Canoa (RS), Itápolis (SP) e Campos dos Goytacazes (RJ).



