Queda de avião militar na Colômbia deixa 68 mortos e 57 feridos em tragédia histórica
O número de vítimas fatais do acidente aéreo ocorrido na segunda-feira, 23 de março, na província amazônica de Putumayo, na Colômbia, subiu para 68 mortos, segundo balanço divulgado pelas autoridades nesta terça-feira. O desastre, que envolveu uma aeronave militar Hércules C-130 da Força Aérea Colombiana, é considerado uma das maiores tragédias da história da aviação do país.
Detalhes do acidente e dificuldades no resgate
A aeronave, que transportava 128 pessoas, caiu na zona rural de Puerto Leguizamo, próximo à fronteira com o Peru, logo após a decolagem. Informações preliminares indicam que o avião enfrentou dificuldades para ganhar altitude, o que teria levado à queda a aproximadamente três quilômetros do local de partida.
As autoridades enfrentaram sérios obstáculos durante as operações de resgate, devido ao difícil acesso à região onde ocorreu o acidente. O governador de Putumayo, Jhon Molina, destacou que o apoio dos moradores locais foi fundamental para evitar um número ainda maior de vítimas.
Imagens que viralizaram nas redes sociais mostraram civis jogando água para conter as chamas e transportando feridos em motocicletas. No entanto, muitos desses voluntários acabaram feridos quando munições militares dentro da aeronave explodiram devido ao incêndio decorrente da queda.
Investigação em andamento e hipóteses descartadas
Até o momento, não há uma explicação oficial sobre as causas do acidente. O Ministério da Defesa da Colômbia afirmou que o veículo estava em condições de voo e que a tripulação era qualificada para a viagem de poucas horas até Puerto Asís, capital de Putumayo.
Apesar da região ser conhecida pela presença de grupos armados de narcotraficantes, a hipótese de um ataque foi descartada pelas autoridades de Bogotá. A investigação continua para determinar os fatores exatos que levaram à tragédia.
Conflito político sobre responsabilidade pela tragédia
O acidente gerou uma intensa discussão no cenário político colombiano. O presidente Gustavo Petro utilizou a rede social X, antigo Twitter, para responsabilizar seu antecessor, Ivan Duque, pela compra de um avião que classificou como "sucateado".
Petro questionou publicamente: "Por que comprou um avião tão velho? Quem o aconselhou a fazer tamanha bobagem?", referindo-se ao Hércules C-130 fabricado em 1983 e adquirido junto ao governo dos Estados Unidos em 2020. O atual mandatário afirmou ainda que havia solicitado a substituição da aeronave há aproximadamente um ano.
Em resposta, Ivan Duque, que governou a Colômbia entre 2018 e 2022, definiu Petro como "mesquinho e pouco inteligente" e esclareceu que a aeronave foi uma doação de Washington, não uma compra. O ex-presidente também instou seu sucessor a realizar uma investigação completa que inclua análise do peso transportado durante a decolagem e do estado da pista do aeroporto local.
Contexto histórico e impacto nacional
Este acidente aéreo representa um dos episódios mais graves da aviação militar colombiana nas últimas décadas. A mobilização nacional para o resgate das vítimas e a subsequente discussão política evidenciam o profundo impacto da tragédia no país.
As autoridades continuam monitorando a situação dos 57 feridos e investigando minuciosamente todas as circunstâncias que envolveram a queda do Hércules C-130 em Putumayo, enquanto a nação lamenta a perda de 68 vidas em um dos dias mais sombrios de sua história recente.



