Piloto gasta R$ 11,5 mil em combustível em voo histórico dos EUA a Boa Vista
Piloto gasta R$ 11,5 mil em combustível em voo dos EUA a RR

Piloto brasileiro enfrenta voo desafiador dos EUA a Roraima com monomotor antigo

Imagine realizar uma viagem aérea de quase 4 mil quilômetros sem auxílio de GPS ou piloto automático, utilizando uma aeronave monomotor com mais de três décadas de fabricação e autonomia limitada. Esse foi o desafio encarado pelo piloto brasileiro Mário Jorge Filho, de 33 anos, que decolou da Flórida e pousou em Boa Vista, capital de Roraima, no início de março. A aventura, documentada em vídeo que acumula mais de 5 milhões de visualizações e 300 mil curtidas nas redes sociais, revelou os custos e os perigos do trajeto.

Rota estratégica com paradas no Caribe para garantir segurança

O percurso, iniciado em 27 de fevereiro e concluído em 1º de março, totalizou aproximadamente 13 horas de voo, distribuídas ao longo de três dias. Para vencer os 3.800 quilômetros – distância superior aos 3.300 km de uma rota direta –, Mário fez escalas estratégicas em ilhas do Caribe: Bahamas, Porto Rico, Sint Maarten e Granada. A escolha não foi aleatória; priorizou locais conhecidos e com infraestrutura adequada, equilibrando segurança e eficiência.

"Minha base é segurança e eficiência. Não dá para ser só eficiente e perder segurança, nem ser só seguro e perder eficiência. Então, vou nesses lugares que conheço bem", explicou o piloto. Especialistas em aeronáutica, como James Waterhouse, professor da Universidade de São Paulo (USP), destacam que essa abordagem é comum para aeronaves menores, pois oferece pontos de apoio essenciais em caso de emergência.

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Custos elevados e desafios técnicos da viagem

Além dos R$ 11,5 mil gastos com 704 litros de combustível, a jornada incluiu despesas com taxas aeroportuárias e hospedagem nas paradas. O avião utilizado, um Bonanza F33A batizado de "Brasileirinho", é um modelo clássico da aviação americana, com motor a pistão e hélice, fabricado antes da Segunda Guerra Mundial. Sua autonomia é de cerca de 1.300 km, exigindo paradas frequentes.

O professor Waterhouse, que já realizou a mesma rota pelo menos dez vezes, enfatizou os riscos: "O principal [risco] é o motor. Existe um ditado: quem tem dois motores tem um; quem tem um, não tem nenhum. Se o motor parar, você vai para a água". Por isso, voar durante o dia e evitar condições meteorológicas adversas, como tempestades na região Norte do Brasil, é crucial para segurança.

Processo de regularização e planos futuros para o "Brasileirinho"

Mário Jorge Filho, que trabalha trazendo aeronaves do exterior para o Brasil desde 2015, adquiriu o avião nos Estados Unidos com o objetivo de realizar um sonho: dar a volta ao mundo ainda este ano. O processo de regularização no Brasil, conduzido pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), inclui etapas como cancelamento do registro no país de origem, solicitação de matrícula brasileira e obtenção de certificados de aeronavegabilidade.

Boa Vista foi escolhida como ponto de entrada devido à agilidade nos processos aeroportuários e à geografia favorável, com menos áreas de floresta fechada. "Desde 2015 eu já passava por Boa Vista. Eu gosto demais da cidade, das pessoas, da estrutura. Não troco essa minha entrada por outra cidade", afirmou o piloto. A viagem, além de parte de sua rotina profissional, serve como conteúdo para redes sociais, onde ele compartilha detalhes sobre custos e experiências.

Com adaptações planejadas para o "Brasileirinho", Mário visa promover intercâmbio cultural global através da aviação, demonstrando que, mesmo com tecnologia limitada, é possível realizar feitos extraordinários com planejamento e coragem.

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