Como medicamentos como Mounjaro estão impulsionando lucros na aviação
Mounjaro e Ozempic: nova economia para companhias aéreas

Como as companhias aéreas estão lucrando com drogas como o Mounjaro

Em um setor onde cada quilo importa, a popularização dos medicamentos para perda de peso surge como um novo e improvável fator de eficiência operacional. Os remédios à base de GLP-1, conhecidos popularmente como Mounjaro e Ozempic, entraram no cotidiano como símbolos de uma revolução na saúde e, de forma inesperada, também começaram a alterar a economia de setores distantes das farmácias.

Impacto na aviação comercial

A aviação comercial, um negócio obcecado por eficiência marginal, descobriu que corpos mais leves podem significar balanços um pouco mais robustos. Um estudo recente do banco de investimento norte-americano Jefferies, obtido pelo jornal The New York Times, estima que as quatro maiores aéreas dos Estados Unidos – American Airlines, Delta Air Lines, Southwest Airlines e United Airlines – poderiam economizar, juntas, até 580 milhões de dólares por ano em combustível.

O raciocínio é simples, quase banal: aeronaves mais leves consomem menos querosene. A economia projetada corresponde a cerca de 1,5% da conta total de combustível que, por sua vez, representa perto de um quinto dos custos operacionais das companhias.

Ganhos incrementais e práticas históricas

À primeira vista, o número parece modesto, mas a aviação sempre viveu de ganhos incrementais. Reduzir o peso de carrinhos de serviço, assentos, revistas de bordo e até da quantidade de água potável a bordo se tornou prática padrão ao longo das últimas décadas.

Se passageiros consomem menos lanches, por exemplo, muda-se não apenas o peso embarcado, mas também uma fonte relevante de receita extra. A economia se traduz também em maior valor agregado ao setor: o banco calcula que uma redução de apenas 2% no peso médio transportado por aeronave poderia elevar o lucro por ação das companhias em aproximadamente 4%.

Contexto mais amplo

Este fenômeno ocorre em um cenário onde a aviação busca constantemente melhorar sua eficiência, inclusive em termos de descarbonização. A indústria aérea é responsável por cerca de 2,5% das emissões globais de CO2, tornando cada economia de peso uma contribuição valiosa para a sustentabilidade ambiental.

Assim, a popularização de medicamentos para perda de peso não apenas transforma a saúde pública, mas também reverbera em setores como a aviação, demonstrando como mudanças sociais podem ter impactos econômicos inesperados e significativos.