Moradores de Capão da Canoa já temiam tragédia aérea antes da queda que matou quatro
Vizinhos do restaurante totalmente destruído após a queda de um avião de pequeno porte em Capão da Canoa, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul, relatam que o medo de um acidente já era constante na comunidade mesmo antes da tragédia que vitimou quatro pessoas na última sexta-feira (3). O local do impacto fica a aproximadamente 200 metros do aeródromo da cidade, o que intensificava a preocupação dos residentes com a segurança das operações aéreas na região.
"Parecia que ia bater nas casas": relatos de moradores assustados
A zeladora Lenilda dos Santos, que mora no bairro Santa Luzia próximo ao local do acidente, desabafa sobre a angústia vivida diariamente. "Parecia às vezes que os helicópteros passavam muito baixo. Parece que vai bater nas casas", afirma ela, destacando que a sensação de perigo iminente era compartilhada por muitos vizinhos. Para Lenilda, se o avião não tivesse atingido o restaurante, a tragédia poderia ter acometido diretamente sua família. "Se não tivesse esse restaurante aqui, tinha batido na casa da minha filha. Eles têm que ter um pouco mais de cuidado. Passa muito baixo, é horrível", completa emocionada.
O pedreiro Moisés Melo dos Santos concorda plenamente com a avaliação da vizinha e reforça o alívio misturado com susto que tomou conta da comunidade após o acidente. "Se não parasse aqui, ia pegar na casa da filha dela. Deus o livre. Ninguém quer uma coisa dessa", relata ele, evidenciando como o desastre poderia ter sido ainda mais trágico caso a trajetória da aeronave fosse ligeiramente diferente.
Cenário de destruição e mobilização pós-acidente
Nos dias seguintes à queda, a Avenida Valdomiro Cândido dos Reis apresentava um cenário de completa destruição e intensa mobilização das equipes de emergência. O avião se chocou violentamente contra um poste em frente ao estabelecimento comercial, derrubando a fiação elétrica e deixando parte significativa do bairro sem energia. Equipes especializadas da CEEE Equatorial trabalharam incansavelmente no local para instalar novos postes e restabelecer o fornecimento de energia elétrica à comunidade afetada.
Com a normalização gradual dos serviços, os moradores que haviam deixado suas casas por precaução começaram a retornar aos seus lares. Engenheiros estruturais realizaram avaliações minuciosas em uma casa de dois andares localizada ao lado do restaurante destruído. Segundo informações do Corpo de Bombeiros, a estrutura do imóvel não foi comprometida pelo impacto, mas mesmo assim os residentes foram aconselhados a deixar a propriedade temporariamente devido ao forte cheiro de querosene de aviação e à fumaça residual que persistia no ambiente.
Detalhes da tragédia que chocou o Litoral Norte gaúcho
O avião de pequeno porte caiu e destruiu completamente um restaurante que funcionava há uma década no local, sendo consumido pelas chamas logo após o impacto. O que restou da estrutura foi posteriormente demolido pelas equipes que atuaram no resgate e na contenção dos danos. As quatro pessoas que estavam a bordo da aeronave faleceram no local, sendo identificadas como:
- Déborah Belanda Ortolani, empresária
- Luis Antonio Ortolani, empresário
- Nelio Pessanha, piloto
- Renan Saes, sócio da empresa de aviação proprietária da aeronave
As vítimas passaram a ser veladas a partir da noite de sábado (4), enquanto a Polícia Civil instaurou inquérito para apurar as causas exatas do acidente. O dono do restaurante revelou que o estabelecimento deveria estar aberto com funcionários e familiares no momento da tragédia, mas uma reforma em andamento impediu a presença de pessoas no local, o que evitou um número ainda maior de vítimas.
Testemunhas descreveram o momento do impacto como "explodiu, parecia uma bomba", evidenciando a violência da colisão que deixou marcas profundas na comunidade de Capão da Canoa e levantou questões urgentes sobre a segurança das operações aéreas próximas a áreas residenciais.



