Incidente grave em Guarulhos: avião da Gol e cargueiro quase colidem durante pouso simultâneo
Um incidente classificado como grave envolvendo duas aeronaves comerciais foi registrado no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, na manhã de 8 de fevereiro. O caso envolveu um Boeing 737-800 da Gol Linhas Aéreas e um cargueiro Boeing 747-8F da companhia americana Atlas Air, que realizaram pousos praticamente simultâneos em pistas paralelas.
Imagens mostram proximidade alarmante durante aproximação final
Imagens divulgadas por um canal especializado em aviação mostram as duas aeronaves em aproximação final e extremamente próximas enquanto se preparavam para tocar o solo nas pistas 10R e 10L. A gravação evidencia a curta distância entre os aviões durante a fase mais crítica do voo, quando os procedimentos de separação entre aeronaves são rigorosamente controlados.
Registros de plataformas de rastreamento de voos indicaram perda da separação regulamentar entre as aeronaves ainda na fase de aproximação final. A separação é um dos princípios centrais da segurança operacional na aviação civil e determina a distância mínima que deve ser mantida entre aeronaves em voo, especialmente em fases críticas como decolagem e pouso.
Por que pousos simultâneos não são permitidos em Guarulhos
O episódio chamou atenção porque, diferentemente de alguns grandes aeroportos internacionais, Guarulhos não é homologado para operações de pouso simultâneo em pistas paralelas. A restrição existe devido a vários fatores estruturais e operacionais:
- Proximidade entre as pistas paralelas do aeroporto
- Rotas potencialmente conflitantes em caso de arremetida
- Relevo da região que circunda o aeroporto
- Intenso tráfego aéreo que caracteriza o principal hub aéreo do país
Embora aeroportos com maior distância entre pistas paralelas possam autorizar pousos simultâneos sob regras específicas, esse tipo de operação exige certificação técnica e condições operacionais próprias. Em Guarulhos, a infraestrutura e o volume de tráfego tornam esse procedimento incompatível com os padrões de segurança adotados pela aviação civil brasileira.
Investigação foi aberta após classificação como incidente grave
O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), órgão responsável por apurar ocorrências aeronáuticas no Brasil, abriu investigação para esclarecer as circunstâncias do caso. O incidente foi oficialmente classificado como grave, o que indica risco significativo à segurança operacional, ainda que não tenha havido acidente com danos materiais ou vítimas.
As apurações devem analisar múltiplos fatores envolvidos na ocorrência:
- Coordenação do controle de tráfego aéreo durante o episódio
- Procedimentos operacionais seguidos pelas aeronaves
- Comunicações entre pilotos e torre de controle
- Condições do fluxo aéreo no momento da ocorrência
- Possíveis falhas técnicas ou humanas
A investigação permanece em andamento e só será concluída após a identificação das causas precisas do incidente e a eventual emissão de recomendações de segurança para evitar ocorrências similares no futuro. O Cenipa tem prazo determinado para finalizar o relatório completo, que será divulgado publicamente conforme os protocolos de transparência da aviação civil.
Este caso ressalta a importância dos rigorosos protocolos de segurança na aviação brasileira e serve como alerta para a necessidade de constante monitoramento das operações em um dos aeroportos mais movimentados da América Latina. A classificação como incidente grave significa que houve um comprometimento significativo da margem de segurança, exigindo análise detalhada e medidas corretivas.