Guerra no Irã eleva preço de voos longos em mais de US$ 100 e impulsiona busca por combustível verde
Guerra no Irã aumenta preço de voos longos em mais de US$ 100

Guerra no Irã eleva preço de voos longos em mais de US$ 100 e impulsiona busca por combustível verde

O preço das passagens para voos de longa distância aumentou mais de US$ 100 em média devido à guerra no Irã, segundo um estudo recente da Transport & Environment (T&E), organização não governamental europeia que promove transporte sustentável. Desde o início do conflito, o custo do barril de combustível de aviação registrou uma alta de até US$ 200, uma variação impressionante de 105% em um ano, conforme dados da IATA (Associação Internacional de Transporte Aéreo), pressionando significativamente os valores das passagens aéreas.

Impacto nos preços das passagens

De acordo com o levantamento da T&E, voos saindo da Europa ficaram em média US$ 104 mais caros entre 28 de fevereiro, quando os ataques ao Irã começaram, e 16 de abril. Já os bilhetes para voos curtos, entre destinos dentro da Europa, tiveram um incremento de US$ 34. As companhias aéreas se preparam para uma temporada desafiadora, especialmente no Hemisfério Norte, com a proximidade do verão, quando as viagens a lazer se tornam mais frequentes.

Além dos preços mais altos, há um risco real de ocorrerem cancelamentos de voos devido ao desabastecimento de combustível de aviação, caso as cadeias de fornecimento não sejam restabelecidas rapidamente. Esta situação crítica levou a União Europeia a tomar medidas urgentes para enfrentar o choque de oferta no setor.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Resposta da União Europeia e alternativas sustentáveis

Nesta quarta-feira, 22 de abril, a União Europeia vai divulgar diretrizes para reduzir a dependência de petróleo do Oriente Médio na produção de combustível de aviação. Uma das principais saídas será aumentar a importação de combustível dos Estados Unidos, país onde o aumento no custo do combustível de aviação registrou a menor alta.

Outra opção estratégica da Europa é recorrer ao SAF (Combustível Sustentável de Aviação), produzido a partir de matérias-primas verdes, como etanol e biomassa. Atualmente, o SAF responde por menos de 1% do combustível de aviação consumido no mundo, mas a crise de fornecimento do Oriente Médio tende a acelerar projetos nessa direção.

Papel do Brasil e acordos internacionais

O Brasil emerge como um grande proponente do SAF, identificando nessa alternativa uma oportunidade valiosa para exportação de etanol e biomassa. Durante a COP30, a Convenção do Clima da ONU realizada em Belém (PA) no ano passado, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e o Banco Japonês de Cooperação Internacional (JBIC) assinaram um acordo para captar o equivalente a 1,06 bilhão de reais para a adoção de SAF e bioetanol.

Há também tratativas avançadas para que 10% do combustível de aviação no Japão seja produzido com etanol brasileiro. O governo japonês já estabeleceu a meta ambiciosa de que 1 em cada 10 litros usados para abastecer aviões em rotas internacionais seja SAF a partir de 2030. A busca por alternativas por parte da União Europeia comprova que a crise no Oriente Médio está acelerando a transição para combustíveis mais sustentáveis na aviação global.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar