Azul planeja expansão internacional a partir de 2027 após renovação de frota e saída do Chapter 11
Azul prevê novas rotas internacionais a partir de 2027

Azul projeta expansão internacional após renovação completa da frota

A Azul Linhas Aéreas afirmou que deve retomar o crescimento de rotas internacionais a partir de 2027, após concluir a transição de frota prevista para este ano. A informação foi confirmada pelo CEO John Rodgerson durante coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (23). O executivo reforçou que 2026 será um período de reorganização operacional, com a chegada de novas aeronaves e devolução de modelos mais antigos.

Renovação estratégica da frota em andamento

Segundo Rodgerson, a Azul vai receber dois A330neo novos de fábrica nos próximos meses, ao mesmo tempo em que devolverá aviões mais antigos que tinham custo mais alto de arrendamento. A troca deve ocorrer ao longo de cerca de seis meses. O CEO destacou que os novos modelos apresentam custo operacional significativamente menor do que os que estão sendo retirados.

Além dos jatos de longo curso, a companhia continuará recebendo aeronaves da Embraer — entre cinco e seis por ano — e reativará três aviões que estavam parados por problemas técnicos. Atualmente, a empresa opera uma frota de 175 aeronaves ativas, número que deve ser otimizado com as novas aquisições.

Expansão internacional programada para 2027

De acordo com o CEO, a expansão de voos para o exterior só deve ocorrer depois que a companhia concluir a renovação completa da frota. A Azul já opera rotas para Estados Unidos e Europa, além de destinos como Montevidéu e, sazonalmente, Bariloche.

"Vamos continuar crescendo internacionalmente, mas isso será mais a partir de 2027, não em 2026", afirmou Rodgerson. Ele explicou que o foco deste ano é substituir aeronaves, reorganizar a malha aérea e preparar a companhia para voltar a expandir com segurança financeira sólida.

Fusão com Gol descartada definitivamente

Questionado sobre a possibilidade de retomar negociações com o Grupo Abra, controlador da Gol e da Avianca, Rodgerson afirmou que a fusão não está nos planos da companhia. O CEO explicou que, antes de entrar no Chapter 11, uma fusão poderia ter sido considerada como solução para enfrentar o alto endividamento.

No entanto, com o novo balanço e o nível atual de alavancagem, a Azul não vê necessidade de combinação de negócios. "Não está na mesa. Saímos do processo com dívida menor e uma empresa mais saudável", afirmou o executivo durante a coletiva.

Investimentos estratégicos e saída do Chapter 11

Rodgerson também confirmou que as companhias norte-americanas American Airlines e United Airlines terão, cada uma, 8% das ações da companhia com os aportes de 100 milhões de dólares anunciados no dia 19 de fevereiro. No caso da American, o acordo ainda precisa ser aprovado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

O processo de recuperação judicial finalizado pela Azul Linhas Aéreas significou, segundo comunicado da companhia, redução de cerca de 1,1 bilhão de dólares nas dívidas de empréstimos e financiamentos. Somada à queda nas obrigações de arrendamento de aeronaves, que foi de aproximadamente 40%, a redução nos dividendos chega a cerca de 2,5 bilhões de dólares.

Além disso, a companhia afirmou que saiu do processo com 850 milhões de dólares em novos investimentos em ações. Os outros resultados indicados pela Azul incluem:

  • Redução dos pagamentos anuais de juros em mais de 50% em comparação aos níveis anteriores ao Capítulo 11
  • Redução em cerca de um terço dos custos recorrentes com arrendamento de aeronaves
  • Captação de aproximadamente 1,375 bilhão de dólares da emissão de Notas Seniors
  • 950 milhões de dólares por meio de compromissos em equity

A estratégia da Azul demonstra um planejamento cuidadoso para o crescimento sustentável, priorizando a consolidação operacional antes de avançar com expansões internacionais mais ambiciosas a partir de 2027.